terça-feira, 16 de novembro de 2021

MOMENTO COM GAIA: Poesia em tempos de pandemia|73




Momento com Gaia/73


Esse projeto, de autoria da poeta Janete Manacá, nasceu em 16 de março de 2020, com a chegada da Pandemia causada pelo novo Covid-19. Por se tratar de algo até então desconhecido, muitas pessoas passaram a desenvolver ansiedade, depressão e síndrome de pânico. Com o desejo de propiciar a essas um “momento poético” no conforto dos seus lares, toda a noite é enviado, via WhatsApp, um áudio com poesias de sua autoria para centenas de pessoas do Brasil e de outros países. E estas são replicadas pelos receptores. Acompanhe o poema abaixo:


Por Janete Manacá




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O avesso


a vida é um caleidoscópio 

com múltiplas probabilidades

cabe a cada um de nós decidir


qual o caminho seguir

qual cor do arco-íris escolher

qual nota musical tocar


casar, ter filhos, ser mãe, cuidar

viajar, conhecer o mundo, sonhar

escrever, costurar, bordar, cozinhar


ser benzedeira, parteira, doceira

ser erveira, taróloga, lavadeira

ser alquimista, camponesa, rezadeira


com palavras mover a multidão

com ações seguir em frente, ser direção

com gentileza, ser afeto, dedicação


com o canto invocar a harmonia

com a dança buscar o equilíbrio

com afeto embalar o sono do mundo


oferecer colo, ser paz e aconchego

ser proteção, sábia, guardiã

ou às vezes ser apenas o avesso




EMPOEME-SE EM POESIA: Poemas de Patrícia Cacau




EMPOEME-SE EM POESIA/23


Poemas de Patrícia Cacau


Leitura de Marta Cortezão


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A fome do mundo


O mundo tem fome e eu tenho sede...

O mundo tem fome de sonhos

e come a tua esperança,

come o pedaço de estrada que você não percorreu,

o perdão que você não deu.

O mundo tem fome, come a paz, arrota a guerra.

O menino no sinal pede uma moeda

e o mundo tem fome, come a educação,

o direito à vida, à liberdade, à oração.

Como acabar com essa fome do mundo?

Se eu tenho sede, com a garganta seca

de gritar para a multidão que o sol é para

todos, que a minha sede é de justiça

para criança e o ancião.

Para a sede eu peço chuva; para a fome eu peço grão,

que brote semente de amor

para alimentar esse mundo cão.


*-* 


Fronteiras de mim


Eram só trincheiras que construí para me defender.

Eram desculpas que criava para me esconder.

Eram fronteiras imaginárias que a mente constrói.

Eram mais fantasmas, miragens

Que coragem!!

A vida me pegava de frente e eu andava de lado.

O tempo dizia É agora e eu respondia Pode ser depois?

As oportunidades se abrem como portas

sem escorador,

bateu, fechou.

As muralhas das dificuldades crescem de tamanho,

Sobem em altura, largura e cada vez tijolos

se  amontoam.

Justificando o tempo de espera de decisão.

O imaginário monstro que nos aguarda

para além do desconhecido parece assustador

desapegar-se do sofá estacionado na avenida

da comodidade.

Quantas vezes menti ao telefone para dispensar

um convite de uma noite que poderia ser incrível!

Quantas desculpas para alimentar o meu engano?

Muitas vezes me vestindo de vítima,

mutilando membros e pensamentos

que me permitissem quebrar as paredes do meu eu.


*-*

(Poemas do livro "Quintais", 2020, Editora In-Finita)



sábado, 13 de novembro de 2021

MOMENTO COM GAIA: Poesia em tempos de pandemia|72




Momento com Gaia/72


Esse projeto, de autoria da poeta Janete Manacá, nasceu em 16 de março de 2020, com a chegada da Pandemia causada pelo novo Covid-19. Por se tratar de algo até então desconhecido, muitas pessoas passaram a desenvolver ansiedade, depressão e síndrome de pânico. Com o desejo de propiciar a essas um “momento poético” no conforto dos seus lares, toda a noite é enviado, via WhatsApp, um áudio com poesias de sua autoria para centenas de pessoas do Brasil e de outros países. E estas são replicadas pelos receptores. Acompanhe o poema abaixo:


Por Janete Manacá


Para ouvir o PODCAST clique AQUI.


Passageira


a vida é simples e breve

nesse labirinto transitório

cheio de armadilhas e ilusões


há que se dominar os desejos

para não nos perdermos por engano

e cairmos em ardilosas tentações


obstáculos existem em toda parte

sabotando nosso frágil sentimento

para tentar nos desviar do foco


viver é pensar no agora

libertar-se do passado

livrar-se dos retornos


enfrentar todas as sombras

iluminá-las e transcender

ser livre inclusive de nós


quantas armadilhas existem na vida

tentando nos desviar a atenção

nos iludindo com falsos brilhos? 


para que valha a pena cada instante vivido

há que se descativar dessa pele que nos habita

Impregnada de crenças que não nos pertencem






sexta-feira, 12 de novembro de 2021

NAS TEIAS DO POEMA XI: INDOMÁVEL E EFÊMERA CRIAÇÃO DO BICHO-POEMA

 


NAS TEIAS DO POEMA XI: INDOMÁVEL E EFÊMERA CRIAÇÃO DO BICHO-POEMA

Por Marta Cortezão

 

Poeta não é somente o que escreve. É aquele que sente a poesia, se extasia sensível ao achado de uma rima à autenticidade de um verso.

{Cora Coralina}

 

    No episódio anterior, Não somos as mesmas de ontem, falávamos de como os momentos de crise, a duras penas e com as devidas exceções à parte, têm favorecido a criatividade poética, de forma revolucionária e solitária. É evidente o comprometimento vital destas expressões artísticas com a realidade que nos cerca. Nas palavras de Octávio Paz:

Em tempos de crise rompem-se ou afrouxam-se os laços que fazem da sociedade um todo orgânico. Em épocas de cansaço, imobilizam-se. No primeiro caso, a sociedade se desespera; no segundo, se petrifica sob a tirania de uma máscara imperial e nasce a arte oficial. (1982, p.54).

    Buscamos mudança e somos parte essencial dela e a linguagem é nossa maior aliada. E o poema é este intenso formigamento de dinamicidade vívida e movente (desejo a ambiguidade mesmo!) de seus inúmeros significados linguísticos. Entretanto, a poesia não é uma arte útil, não é verdade? É uma arte que se serve de farta e predominante Beleza, onde a palavra deambula, insubmissa, pelos vãos da não-existência buscando o afã de um poema. Sua utilidade está nos mundos de dentro, na expressão fundamental da arte que os ávidos olhares contempladores captam do mundo, ou seja, a poesia não tem finalidade alguma, porque sua finalidade é a própria poesia em si, por isso também, única. Mas não leve sua frustação para a vida afora, que ela fique apenas naquele último e suado poema, pois o próprio Paul Valéry já afirmava que “uma obra nunca é concluída, mas abandonada” e que “o poema – (é) essa hesitação prolongada entre o som e o sentido”.  Relaxe!

    A concepção poética não passa apenas pelo ato da escrita porque é anterior. Há um antes flutuando em uma massa caótica, uma espécie de in illo tempore da criação poética que é inalcançável e imensurável aos olhos da razão... Ela, esta força cosmogônica, está latente nos labirintos interiores conduzidos, à moda de F. Pessoa, por “esse comboio de corda/ que se chama coração”, onde o fazer poético nos reserva laboriosa e efêmera destreza que fenece nada mais nascer a obra, resultando apenas o bicho-poema que “é uma máscara que oculta o vazio, bela prova da supérflua grandeza de toda obra humana” (PAZ, 1982, p. 16). O bicho-poema, tão disforme, volátil e fluido, são os olhos da alma sem pretender sê-lo!

    Acredito que não nos basta apenas o ato de construção da escrita. É necessário pensarmos e discutirmos sobre todo o processo que nos acompanha desde que somente a fala já não nos satisfaz como seres no mundo, especialmente o nosso processo “poiético” de criação. O que não se denomina não existe, portanto falemos de literatura de autoria feminina! E, nesse contexto, inúmeras perguntas não cansam de procurar respostas e vice-versa. Ou ainda dúvidas que geram outras tantas dúvidas... Que revolução é essa que tem invadido, diariamente, nossas janelas virtuais nos convidando ao encantamento pelo labor da palavra? O que nos fez remexer nossos “bordados poéticos” e nos vestir de coragem para tecer nosso sudário de palavras mundo afora, seja em obras de coautoria ou obras solo? Como escrevemos? Que liberdade e que sede de palavras fortalecem nosso discurso? É possível relacioná-las com a força que emana das/nas vozes do coletivo? Como a literatura de autoria feminina se apresenta dentro do Projeto Enluaradas? É importante tomar as rédeas de nossa literatura e edificá-la sob bases sólidas, pois há uma “pós-modernidade” demasiadamente líquida para nos despreocuparmos de nosso fazer literário. Lá fora, o mundo é Cérbero, cão de sete cabeças! Mas quem desce ao Averno por gosto, acredita na força da Poesia! Avante!

    Neste episódio, com a mediação de Marta Cortezão, estaremos na companhia das poetas:

ANA MENDES é luso-angolana, autora de dois livros (infantojuvenil e rom. policial) em francês e português; Coautora em 50 Antologias e Coletâneas na França, Bélgica, Itália, Suíça, Portugal e Brasil. Premiada em concursos, poesia e contos/2020 & Menções Honrosas 2020 e 2021/ poesia. Acadêmica em seis Instituições: Brasil/Suíça/Portugal/Itália.

CRIS ARANTES, poeta escritora, compositora, musicista. Tem um Canal no YouTube: CRIS ARANTES VARAL DE POESIAS.

HELOISA HELENA GARCIA é paulistana apaixonada por pessoas e palavras desde menina, se tornou psicóloga e professora. Seus escritos revelam um tom pessoal, intenso e sensível. Acredita que escrever é mergulhar na experiência de si e de ser no mundo, emergindo sempre mais viva, presente e inteira. 

MARTA CORTEZÃO – amazonense radicada em Segóvia/ ES, é escritora, poeta, ativista cultural, professora, tradutora. Mantém o blog https://feminarioconexoes.blogspot.com. Participou de diversas antologias/revistas nacionais e internacionais. Livros de poesia “Banzeiro manso” e “Amazonidades Poéticas – Cultura e Identidade” (no prelo).

 Aguardamos por VOCÊ! Até mais.


REFERÊNCIAS:

PAZ, Octavio. O Arco e a Lira. Trad. Olga Savary. Rio de Janeiro. Editora Nova Fronteira (Coleção Logos), 1982.

 

 


quinta-feira, 11 de novembro de 2021

EMPOEME-SE EM POESIA: Poemas de Érica Azevedo



 

EMPOEME-SE EM POESIA/22


Poemas de Érica Azevedo

Leitura de Marta Cortezão

Para ouvir o podcast, clique AQUI.


O POETA E O LABIRINTO

 

O poeta não está morto.

Apenas agoniza no labirinto

                            da linguagem

buscando decifrar

sua própria face.

 

A cada verso encontrado

um enigma se refaz.

 

(A chuva e o labirinto, Mondrongo, 2017)


*-*

 


RELÓGIO

 

A hora passa

com a música que toca no rádio.

 

O minuto desaparece

com o sorriso ensaiado nos lábios.

 

O segundo segue

como um sopro de instrumentos.

 

Nas paredes, ainda o mesmo tic-tac.

 

(A chuva e o labirinto, Mondrongo, 2017)


*-*


Cabide

 

Quero um local

para guardar minha dor.

 

Um depósito não muito longe

                                 [de mim]

 

Quero guardá-la e poder olhar

para seu peso,

sentir se sua marca

se desfaz.

 

Quero ver minha dor

sem forçar o ombro,

sem o sentimento de posse.

Com um sorriso

mesmo magro

 

(A chuva e o labirinto, Mondrongo, 2017)


*-*


DESAJUSTE


Uma borboleta intrusiva

Insiste entrar no casulo.

 

O experimento do mundo

fora demasiado doloroso.


(Confraria Poética Feminina, Penalux, 2016)


*-*

terça-feira, 9 de novembro de 2021

MOMENTO COM GAIA: Poesia em tempos de pandemia|71



 

Momento com Gaia/71


Esse projeto, de autoria da poeta Janete Manacá, nasceu em 16 de março de 2020, com a chegada da Pandemia causada pelo novo Covid-19. Por se tratar de algo até então desconhecido, muitas pessoas passaram a desenvolver ansiedade, depressão e síndrome de pânico. Com o desejo de propiciar a essas um “momento poético” no conforto dos seus lares, toda a noite é enviado, via WhatsApp, um áudio com poesias de sua autoria para centenas de pessoas do Brasil e de outros países. E estas são replicadas pelos receptores. Acompanhe o poema abaixo:


Por Janete Manacá



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Sem direção


foge-me todas as probabilidades 

um incômodo invade o meu peito

numa voracidade irrefreável


fecharam todas as portas

as janelas estão encadeadas

sem acesso a luz do sol, a nada 


as noites são intermináveis

tempo de dor não tem fim

uma morbidez incontrolável


o galo canta, o dia nasce

mas tudo é sempre igual

uma rotina lenta e entediante


meu corpo oco atado ao vácuo

numa sofrível servidão

onde todas as certezas são delírios


o vento inquieto geme lá fora

como fantasma do passado

a rondar insistentemente meus passos


as letras perturbadas destes versos

registram os meus percalços 

eu tentei, mas nunca encontrei a direção




sábado, 6 de novembro de 2021

BAIXE GRÁTIS O E-BOOK COLETÂNEA ENLUARADAS II: UMA CIRANDA DE DEUSAS


Arte Marta Cortezão

SOMOS TEMPLO DIVINO DA PALAVRA

 Por Marta Cortezão


Quando as mulheres reafirmam seu relacionamento com a natureza selvagem, elas recebem o dom de dispor de uma observadora interna permanente, uma sábia, uma visionária, um oráculo, uma inspiradora, uma intuitiva, uma criadora, uma inventora e uma ouvinte que guia, sugere e estimula uma vida vibrante nos mundos interior e exterior.

 {Clarissa Pinkola Estés}

 

    O Projeto Enluaradas anuncia a realização de mais um sonho concretizado pela força e perseverança da palavra. Na Coletânea Enluaradas II: uma Ciranda de Deusas (Sarasvati Editora, 2021), nos entregamos a este mergulho no rio profundo do Sagrado Feminino. Somos poetas [“porque em poetisa todo mundo pisa”, já diz a Deusa Leila Míccolis] e conjugamos nossa existência levantando nossas vozes nas teias de palavras que se propagam por este vasto e enigmático universo. A palavra poeticamente cobiçada – aquela que alcança nossa verdadeira essência e que nos diz muito sobre nós e sobre o Sagrado que nos faz morada – é a pedra angular a que nos aferramos para resistir às intempéries e seguir na luta por um mundo, onde nossas vozes sejam escutadas e nossos corpos respeitados.

    Este sonho possui o vigor, a sabedoria e a beleza do voo de um albatroz, pássaro que domina a técnica do voo, sem bater as asas; plana céus e mares conduzido pela força do vento e é capaz de voar enormes distâncias, sem pouso. E tal como albatroz, voando léguas, sem (re)pouso, fazemos da poesia a força que nos move e a voz que nos eleva. Viajamos, carregadas do fardo de silenciamento de séculos, em busca da concretização de nossos sonhos e, quando (re)pousamos, o fazemos com nossos pés fincados na ancestralidade de nossa espécie fêmea e na fertilidade de Gaia, nosso colo divino. Voamos alto, quebramos os muros de concreto que revestem os paradigmas impostos, construímos janelas e as adornamos com as amarelas flores de os nossos medos de ontem e os de hoje. E, ao redor da chama que nos acende os desejos, uivamos, em uníssono coro, para a Lua. Dançamos irmanadas em ciranda, celebrando Lilith, Afrodite e todas as Deusas que alimentam nossa espiritualidade. Somos templo divino da humana palavra, somos múltiplas, porque a pluralidade é nosso habitat natural.  

    Este sonho, em forma de e-book, que apresentamos hoje, só pôde tornar-se realidade porque poetas incríveis nos deram as mãos nesta ciranda de Deusas. O Projeto Enluaradas agradece a todas as poetas que se juntaram ao redor da chama da palavra em estado de latente poesia. 

     Clique AQUI para assistir ao vídeo.

    O livro físico também é uma realidade que vem para cultivar nossas memórias no canteiro do tempo, fertilizar sentimentos com a esperança no novo do porvir e manter acesa a fogueira de palavras que alimenta nosso fazer literário.   


Disfero Design Gráfico


Disfero Design Gráfico


Esboço da capa/Marta Cortezão

E com esta energia que nos atravessa, ao falar de poesia, que convidamos você a comungar conosco da poesia que habita nossos sonhos! Basta clicar AQUI e baixar o e-book de forma gratuita. Colabore conosco lendo e divulgando nossa literatura! Boa leitura!


Arte Vania Clares

VEM AÍ O 1º FLENLUA! 03, 04 E 05 DE DEZEMBRO!

Arte Marta Cortezão


Feminário Conexões, o blog que conecta você!

Mulherio das Letras SP

Imagem Pinterest                                                                                       Por  Meire Marion                   ...