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quinta-feira, 30 de outubro de 2025

LITERATURA É TERRITÓRIO EM DISPUTA: O QUE ESCREVEMOS É LITERATURA SIM


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A literatura brasileira é vasta, rica e diversa — e, ainda assim, parte significativa de sua produção continua à margem dos espaços de prestígio e reconhecimento. Autores e autoras negras, indígenas, ciganas, periféricas e dissidentes têm sido, sistematicamente, deslegitimados por uma crítica hegemônica que insiste em restringir o que se entende por “literatura”. No entanto, reafirmamos: o que escrevemos é literatura sim e da melhor qualidade. 

Com linguagem potente, estética refinada e compromisso com a realidade, nossas obras ampliam os horizontes do que se lê e do que se entende por literatura no Brasil. Viva a literatura que rompe cercas simbólicas, que permite voz e expressão aos intelectuais de todos os cantos do país, de todos os estratos sociais, de diferentes culturas e múltiplas vivências. Afinal, literatura é, antes de tudo, território de liberdade — e nós escrevemos para existir. 

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Os que tentam nos calar 

A voz da branquitude insiste em determinar quem pode ou não gozar do status de autor(a) literário(a). Querem nos dizer quem faz e quem não faz literatura, rotular como “marginais” os que escrevem fora do eixo hegemônico e, até mesmo, proibir a circulação de nossos livros. Mas seguimos escrevendo. 

Do Monte Caburaí ao Arroio Chuí, do escritor porto-alegrense Jeferson Tenório à poeta roraimense Sony Ferseck, nossos autores e autoras têm enfrentado estigmas e restrições impostos por setores editoriais e midiáticos que não sabem — ou não querem — ler outras realidades. 

Nesse contexto, em 2018, a Academia Brasileira de Letras rejeitou o nome de Conceição Evaristo, uma das maiores vozes da literatura negro-brasileira. 

Essa recusa foi um espelho do preconceito institucional que ainda define os contornos do que se considera "alta literatura" no país, mas os ventos começaram a mudar: em 2025, Ana Maria Gonçalves — autora de Um defeito de cor — tornou-se imortal da ABL. Sua entrada nessa instituição representa um movimento tardio, mas simbólico, de abertura do cânone à escrita potente, política, performática e estética das mulheres negras brasileiras. 

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Nesse aspecto, convém lembrar - e o faço sem intenção retórica - que as academias se anteciparam ao laurear com o título de doutor/doutora "Honoris Causa": Beatriz Nascimento (UFF/2022), Conceição Evaristo (UFMG/2025), Lélia Gonzalez (UnB/2025), Milton Santos (UFSC/1996), Luiz Gama (USP/2021), Ailton Krenak (UFJF/2016) e Eliane Potiguara (UFRJ/2021), dentre outros e outras. Em contrapartida, há sempre uma via de mão dupla e escolhas perigosas. Jeferson Tenório sofreu tentativas de censura e foi perseguido nas redes sociais por polêmicas em torno de seus livros. Escritoras e escritores indígenas do país inteiro, como os do povo Maraguá, no Amazonas, enfrentam o apagamento sistemático de suas vozes, suas línguas e dos seus modos de narrar e de representar o mundo. 

De minha parte, prefiro ouvir a voz da sabedoria ancestral. Nossos avós diziam: “Não batam palmas para maluco dançar.” Por isso, costumo optar por não dar palco nem notoriedade aos ataques. Não reposto, não alardeio. Expresso minhas opiniões quando sou instada a fazê-lo — não sem um pouco de azedume, devo confessar. 

As estratégias para nos silenciar são sofisticadas e tecnológicas, multiplicam-se, de modo intencionado nos debates contemporâneos, no entanto, resistimos. E foi assim, resistindo e re(existindo), que não desaparecemos e nem desapareceremos do mapa. 

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Enquanto tentam nos invisibilizar, silenciar, desprestigiar — nós escrevemos. E ao escrever, permanecemos. Por um Brasil que leia a sua própria diversidade Continuamos aqui. Escrevendo com as marcas da ancestralidade, com as urgências do presente e com os olhos voltados para o futuro. 

Nossos livros não pedem desculpas. Nossas palavras não cabem em molduras coloniais. Fazemos literatura para reinventar a roda frenética da vida e para curar feridas. Somos palavra que grita e sobrevive em estado de luta. E, se tentam nos silenciar, respondemos escrevendo mais: mais histórias, mais vivências, mais poesia, mais reflexão. Se tentam nos apagar, respondemos com memória. Porque toda vez que escrevemos, ocupamos — e resistimos. Das pedras do Cais do Valongo, nossos ancestrais gritam por nós. 

Que mais leitores, escolas, feiras e instituições se abram à leitura da literatura negra, indígena, cigana e periférica brasileira. Porque só haverá real literatura brasileira quando todas as vozes couberem dentro dela. Apesar do que ousam dizer os que se consideram donos do fazer literário. Ps. Esse texto foi originalmente publicado na Revista Voo Livre, na edição de setembro/2025. Lemos aqui uma versão adaptada para conter a premiação da escritora Conceição Evaristo que foi noticiada pela mídia após a referida edição.

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Arquivo da autora
Heliene Rosa, natural de Patos de Minas, Minas Gerais, é uma escritora, professora e pesquisadora dedicada às poéticas femininas. Mestre em Linguística e doutora em Estudos Literários pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Heliene é uma voz ativa na militância pelas causas das mulheres e da negritude. Articulista no Blog Feminário Conexões e integrante de diversos coletivos femininos, fundou, em 2016, o GELIPLIT (Grupo de Estudos em Língua Portuguesa e Literaturas), com o propósito de promover a formação continuada de professores de Língua Portuguesa e Literatura.

Com uma carreira marcada pela coordenação de projetos literários e pedagógicos, Heliene foi premiada no Oitavo Concurso Nacional pela Igualdade de Gêneros com uma sequência didática voltada à escrita, envolvendo estudantes do Ensino Básico. É coautora em diversas coletâneas nacionais e internacionais e organizadora de antologias literárias e acadêmicas. Em sua produção autoral, destaca-se com os livros Enquanto as hortênsias florescem (2023) e Literatura é território: poéticas femininas indígenas em movimento (2024).

sexta-feira, 20 de junho de 2025

VOZES QUE ROMPEM SILÊNCIOS, POR HELIENE ROSA

PROTAGONISMO FEMININO |07 
MULHERES NA FILOSOFIA, NA CIÊNCIA E NA LITERATURA: VOZES QUE ROMPEM SILÊNCIOS 

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É inadiável recontar a história, dessa vez sob o ponto de vista das mulheres, para corrigir injustiças e distorções que alimentam e legitimam as mazelas do patriarcado. No livro O legado das mulheres na história do pensamento mundial (2022), as estudiosas Natasha Hennemann e Fabiana Lessa evidenciam o apagamento das mulheres na Filosofia. Nessa obra, as autoras trazem, em epígrafe, o depoimento da reconhecida mestra do Mosteiro de Rupertsberg em Bingen am Rhein, na Alemanha, Hildegarda de Bingen: “Nós não podemos viver em um mundo que seja para nós interpretado por outros. Um mundo assim concebido não representa esperança. Não devemos ter medo de recuperarmos a nossa própria audição, de usarmos a nossa própria voz e de vermos a nossa própria luz.” 

Contemporaneamente, a literatura vem se constituindo como instrumento dessa recuperação. Assim, mulheres determinadas a escrever uma outra história desenvolvem estratégias para reposicionar o mundo sob lentes femininas, trazendo luz para as histórias de mulheres que foram silenciadas, ao longo dos séculos, a partir de estratégias de disseminação e de perpetuação das ideias do patriarcalismo. Nesse aspecto, avulta-se o trabalho da cientista Lindamir Salete Casagrande, a escritora que também é professora. Tive a alegria de encontrar-me com ela, no último mês, na Feira Literária nas Escolas de Piçarras (FLEP), no litoral Norte de Santa Catarina. Essa pesquisadora desenvolveu estudo, envolvendo o protagonismo de mulheres na Ciência.

A referida autora publicou sete livros, na série intitulada Meninas, moças e mulheres que inspiram. No escopo de um interessante projeto, a partir do qual essa pós-doutora em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), - resgata biografias de mulheres que, de algum modo, contribuíram com o desenvolvimento das Ciências. Ela adaptou narrativas referentes a essas personalidades femininas, para o público infanto-juvenil, com o intuito de trazer à luz as trajetórias dessas mulheres notáveis, como a doutora Zilda Arns; a engenheira negra brasileira Enedina Marques; Bertha Lutz; Hedy Lamarr; Sophie Germain; Marie Curie e Hipátia de Alexandria, a astrônoma lendária. 

Ademais, na obra, Ervilhas Tortas (2020), um curioso conto rural nos remete ao universo de Lindinha, delicada menina que, aos oito anos de idade, recebeu do pai a impensável tarefa de cuidar (tomar conta) de um enorme touro reprodutor recém chegado à propriedade da família. O fato de a garota demonstrar competência para cuidar do animal impõe questionamentos a uma certa visão estereotipada, ainda predominante na sociedade, de que meninas talvez não sejam hábeis no domínio de tarefas consideradas complexas. De acordo com essa visão simplista, também não seriam capazes de cumprir com requisitos necessários para o desempenho de funções nas áreas tecnológicas ou que demandem habilidades no campo das ciências exatas. 

Em uma pesquisa realizada em nível de Doutorado, a autora buscou lançar luz sobre estereótipos dessa natureza. A partir dessa dinâmica, Lindamir publicou outro livro: Silenciadas e invisíveis: relações de gênero no cotidiano das aulas de Matemática (2017). Nele, se discutiu a relevância da pesquisa, conceituou-se gênero e questionou-se o papel da escola, como objeto de análise, detalhando as relações de gênero na Educação. Nessa conjuntura, a pesquisa se ocupou do(s) modo(s) como a escola define a forma de se perceber masculinidades e feminilidades. As conclusões reforçam o que já é amplamente reconhecido por nós, mulheres: o comportamento das meninas ainda é muito influenciado pelos estereótipos e pelo que elas acreditam que se espera delas socialmente. 

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Com o intuito de promover a superação desse estado de coisas, no âmbito da Filosofia, a obra Filósofas: o legado das mulheres na história do pensamento mundial vem fazer justiça a pensadoras como Diotima de Mantinea, Ban Zhao, Mary Wollstonecraft, Angela Davis e Lélia González, que ofereceram grandes contribuições para as questões feministas e para a história do pensamento geral. Assim, tanto as Ciências quanto a Literatura e outras artes têm se empenhado na tarefa urgente e necessária de retirar, do ostracismo, mulheres, cujos nomes jazem sob camadas e camadas de preconceito e de silenciamento. 


Arquivo pessoal de Lindamir S. Casagrande
Movida pelos mesmos princípios, Lindamir Salete Casagrande juntamente com outras intelectuais abraçaram a missão de resgatar mulheres – escritoras, cientistas, musicistas, esportistas, ativistas, entre outras que foram “esquecidas” no limbo da História oficial e dar o relevo que suas ideias, ações e legados merecem. Cada vez um número maior de mulheres tem utilizado a literatura como ferramenta de expressão e resistência, criando formas de reescrever o mundo a partir de perspectivas plurais, não só voltadas para as demandas e temáticas femininas, porque mulheres acolhem diversidades. 

Carolina Maria de Jesus - Pinterest
Armadas com os livros, produzimos um arsenal de narrativas que rompem silêncios impostos por estruturas opressoras e dão voz e visibilidade às experiências historicamente marginalizadas. A construção das nossas narrativas se dá na linguagem e pela linguagem, que é, ao mesmo tempo, o palco e a substância da disputa do poder. E, desse modo, vamos, paulatinamente, subvertendo o discurso de ódio que o patriarcado produz e engendrando a reativação do domínio das mulheres sobre o mundo. 



Se desejar conhecer mais detalhadamente a obra da escritora Lindamir Salete Casagrande, clique AQUI.

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Arquivo da autora
Heliene Rosa, natural de Patos de Minas, Minas Gerais, é uma escritora, professora e pesquisadora dedicada às poéticas femininas. Mestre em Linguística e doutora em Estudos Literários pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Heliene é uma voz ativa na militância pelas causas das mulheres e da negritude. Articulista no Blog Feminário Conexões e integrante de diversos coletivos femininos, fundou, em 2016, o GELIPLIT (Grupo de Estudos em Língua Portuguesa e Literaturas), com o propósito de promover a formação continuada de professores de Língua Portuguesa e Literatura.

Com uma carreira marcada pela coordenação de projetos literários e pedagógicos, Heliene foi premiada no Oitavo Concurso Nacional pela Igualdade de Gêneros com uma sequência didática voltada à escrita, envolvendo estudantes do Ensino Básico. É coautora em diversas coletâneas nacionais e internacionais e organizadora de antologias literárias e acadêmicas. Em sua produção autoral, destaca-se com os livros Enquanto as hortênsias florescem (2023) e Literatura é território: poéticas femininas indígenas em movimento (2024).

sexta-feira, 23 de maio de 2025

ENQUANTO AS HORTÊNSIAS FLORESCEM, HELIENE ROSA

A ROSA E O JARDIM

Por Marta Cortezão[1]

 

O poema se faz sozinho

Na leveza do sentimento

[Poesia do mo(vi)mento, Heliene Rosa]

 

Arquivo da autora
Os versos, semeados pelas mãos que lavram sentimentos no solo branco e solitário do papel, brotam fertilizados pela beleza artística da palavra ritmada que perfuma com poesia e dá viço aos estados de essência cultivados no jardim poético de Heliene Rosa. É a leveza harmônica, presente na essência do Belo, que perfuma cada poema em sua unicidade e sensibilidade, pois é essa Beleza o pano de fundo deste jardim de Rosa, assim como da palavra bailarina que, sempre em movimento, molda a forma de cada verso-flor para manifestar-se ao mundo exterior sensível, bem diante dos olhos passantes do(a) leitor(a) que param a contemplar, extasiados, diverso jardim.

Esta voz do Feminino Rosa, que levanta seu canto, neste livro-jardim Enquanto as hortênsias florescem, é a voz que embala a poesia próspera e pura que vem do chão! É a voz clareira da alma que sonha flores, “em miríades de cores” e distribui esperança pelo caótico mundo em que vivemos, ainda que as palavras sejam escassas e os caminhos tortuosos: “Enquanto as hortênsias florescem / No jardim / palavras me traem / palavras me faltam / me perco de mim (...) Enquanto as hortênsias florescem / Em miríades de cores / Sobre folhas e haste / Enfeitando o jardim”.


Arquivo da autora
É a voz da ancestralidade que se consolida na força da intelectualidade de Rosa, que, primeiramente, descolonizou seu jardim, para só então partilhar as sementes férteis pelo mundo. Como aperitivo, desfrutemos do fragmento do poema Dindinha, no qual escutamos a voz sábia e selvagem que muito ensina: “com ela aprendi: que na vida, / Nem tudo é do jeito que a gente quer / Mas ninguém deve duvidar / da força e do poder / De uma mulher!” Rosa, imersa na força de sua africanidade, solta a voz para dizer das dores que atravessam suas vivências, mas ela escreve para consolidar sua existência, que também é a nossa. O poema Servidão dialoga com as muitas histórias de vida tecidas nestes versos: “Em algum canto, / Sonhos de amor roubados/ E soluços, silenciados. (...) E a dança dos séculos, / Sofistica a crueldade; / Exploração naturalizada...(...) / Como arrancar do poema / Esse refrão?”. As reviravoltas dos versos de Rosa, em meio à polifonia de vozes femininas, se encarregam de trazer a resposta, que vêm com o vento da coletividade, onde o sopro é de verde esperança e de otimismo, porque somos mulheres de luta e de sonhos: “lutamos juntas agora, / E não podemos retroceder! / Pois já dizia o poeta, / Quem sabe faz a hora / Não espera acontecer!” E assim meus olhos de leitora, ao contemplarem tão belo jardim, vão se emocionando neste amor pulsante que me abraça, poeticamente, como no poema Labirinto, onde “frenética dança / Aquece-me a esperança / E reinvento o mapa / Desenho novos caminhos / Para o meu labirinto particular.”   

Arquivo da autora
Caro(a) leitor(a), é neste jardim florido, cultivado em Terra-Mãe, “Nossa Nave-Terra, nosso lar, / Corpo coletivo ancestral”, onde Árvores, “em suas entranhas / Rios internos deságuam / nas raízes que sustentam o mundo”, que convido você a adentrar. Entre sem medo, aqui as palavras nos lavam a alma em rios de Feminiscências, onde “Universos se fundem / Centelham faíscas divinas / Das entranhas da Terra”. Aqui há Pássaros que “habitam o céu / Tingem-no de plumagens coloridas / E rasgam o azul/ Intrépido voo” com “Seu canto flecha / Endereçado ao infinito”. Aqui, no Jardim da Poeta Heliene Rosa, há uma aventura fantástica de dança ritmada de doce e engajada poesia que se apresenta ao mundo! Entre em contato com a autora, adquira o seu exemplar e boa leitura!

Leitura de poemas de Enquanto as hortênsias florescem, por Marta Cortezão:




[1] Para contratar resenhas literárias entre em contato via e-mail martabartez@gmail.com

ROSA, Heliene. Enquanto as hortências florescem. Uberlândia (MG): Editora Subsolo, 2023.

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Arquivo da autora
Heliene Rosa, natural de Patos de Minas, Minas Gerais, é uma escritora, professora e pesquisadora dedicada às poéticas femininas. Mestre em Linguística e doutora em Estudos Literários pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Heliene é uma voz ativa na militância pelas causas das mulheres e da negritude. Articulista no Blog Feminário Conexões e integrante de diversos coletivos femininos, fundou, em 2016, o GELIPLIT (Grupo de Estudos em Língua Portuguesa e Literaturas), com o propósito de promover a formação continuada de professores de Língua Portuguesa e Literatura.

Com uma carreira marcada pela coordenação de projetos literários e pedagógicos, Heliene foi premiada no Oitavo Concurso Nacional pela Igualdade de Gêneros com uma sequência didática voltada à escrita, envolvendo estudantes do Ensino Básico. É coautora em diversas coletâneas nacionais e internacionais e organizadora de antologias literárias e acadêmicas. Em sua produção autoral, destaca-se com os livros Enquanto as hortênsias florescem (2023) e Literatura é território: poéticas femininas indígenas em movimento (2024).

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

PROTAGONISMO FEMININO

PROTAGONISMO FEMININO|06 

PROTAGONISMO FEMININO EM FOCO: A POETA INDÍGENA ELIANE POTIGUARA É PREMIADA COM O TÍTULO DE DOUTORA HONORIS CAUSA PELA UFRJ 


A poeta indígena Eliane Potiguara é Doutora Honoris Causa pela UFRJ No dia 22 de novembro de 2022, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu o título de Doutora Honoris Causa a uma ex-aluna ilustre: a escritora indígena brasileira Eliane Potiguara. A autora nasceu em 1950, na cidade do Rio de Janeiro, no seio de uma família indígena desaldeada e cursou Letras na UFRJ, no início da década de 1970.

A literatura indígena contemporânea, compreendida como a produção literária dos intelectuais indígenas brasileiros na atualidade, vem se tornando bastante expressiva a partir das últimas décadas e tem na figura de Eliane Potiguara uma importante precursora. No contexto da produção literária da autora percebe-se uma escrita voltada para o universo feminino em que se destaca a afirmação das diferenças, em contraposição ao modelo hegemônico.

[foto do Facebook da autora]
A poeta desenvolve uma escrita que se impõe contra o silenciamento secular das subjetividades indígenas. A literatura de autoria indígena tem essa vantagem de apresentar conhecimentos não estigmatizados a respeito das culturas dos povos originários pois possibilita a expressão individual e coletiva dos próprios indígenas.

Na condição de intelectual orgânica – sua produção literária não se distingue de sua atuação de militante do Movimento Indígena, Potiguara promove, no conjunto de sua obra, uma série de rupturas em relação aos padrões clássicos de textualidade, de linguagem e de pressupostos, tanto teóricos quanto epistemológicos. As principais publicações de Eliane Potiguara são: A Terra é a Mãe do Índio (1989); Akajutibiró: terra do índio potiguara (1994); Metade Cara, Metade Máscara (2004); Sol do Pensamento (2005) e-book; O coco que guardava a noite (2012); O Pássaro Encantado (2014); A Cura da Terra (2015). Diversas antologias produzidas no Brasil e no exterior. Potiguara também costuma publicar textos em seu site, nas páginas, Instagram, perfis no Facebook, e em grupos que administra nos espaços virtuais.

[foto do Facebook da autora]

Esse reconhecimento vem como honraria para a intelectual que, em sua longa jornada no campo da escrita autoral, já enfrentou inúmeros desafios e foi, muitas vezes, silenciada, aviltada e até violentada em sua condição de mulher indígena que não se cala diante das injustiças e das incoerências. Seu livro Metade cara, metade máscara, referenciado pelo eminente escritor indígena Ailton Krenak como um livro totem, representa um libelo contra a opressão aos povos indígenas, sobretudo às mulheres indígenas.

Eliane Potiguara é uma autora que escreve com as suas ancestrais. A partir de um jogo polifônico, ela resgata as vozes das matriarcas indígenas. A escritora realça a importância da convivência com as mulheres de sua família, como a mãe, a avó e as tias-avós, para a sua formação como escritora. De acordo com ela, porque narravam suas histórias indígenas de forma mágica e envolvente. E a partir dessas narrativas, a poeta promove reflexões sobre os enfrentamentos das mulheres indígenas em trânsito, sua solidão e os preconceitos dos quais costumam ser vítimas. Dessa forma, seus escritos denunciam a violência, o racismo e a intolerância da sociedade.

Nos versos de seu poema: Fim de minha aldeia:

 

Tenho medo das coisas que falo

Que mais parecem profecias

De tudo mais que falei

Hoje estou tão só, triste e descontente

Perdi o meu amor

Perdi minha razão

Dói-me profundo

Profundamente meu coração.

Choro intranquila, sofro a desgraça

Vivo o desamor na solidão

E por onde passo

Há só lembranças, tristes lembranças

De uma aldeia acabada.

Eu tenho medo das coisas que falo

Que mais parecem profecias

Pois de tudo, tudo que falei

Hoje estou sofrida, amargurada

Perdi minha essência

Grito traída, canto a trapaça

Sou a própria tristeza

Transformei-me numa constante ameaça.

Agora não rio, não sonho

Não suporto mais nada

Uma dor aguda me sufoca, me maltrata

É a dor da saudade que me mata.

(POTIGUARA, 2018, p. 35).

[foto do Facebook da autora]

Os versos realçam a subjetividade das indígenas exiladas, como a avó da autora – Maria de Lourdes, forçada a deixar a aldeia no Nordeste, de forma violenta, após o desaparecimento do pai Chico Solon. De acordo com relatos da própria escritora, as matriarcas chegaram ao Rio de Janeiro em um navio que carregava imigrantes e enfrentaram inúmeras adversidades.

A cerimônia de outorga do título reverenciou também o poeta popular Carlos Assumpção, personalidade negra brasileira internacionalmente reconhecida. Em solenidade de grande força simbólica, a academia premiou, concomitantemente, uma escritora indígena e um escritor afrodescendente. Dois intelectuais considerados periféricos cujas produções movimentam discursos contra-hegemônicos.

Nessa linda cerimônia, foram ouvidos: o grito de uma guerreira indígena potiguara e um rufar de tambor acompanhado por calorosos protestos de um intelectual negro. A cena revela rupturas em relação ao pensamento abissal moderno. A literatura abre caminhos para a valorização dos saberes populares, dos escritos das mulheres, do povo preto e dos povos indígenas.

[foto do Facebook da autora]

A beleza dessa cena sugere a possibilidade de revitalização do cânone literário tradicional, a partir da apresentação de escritoras e escritores silenciados no interior do sistema literário brasileiro, como é o caso dos intelectuais indígenas e dos intelectuais negros e negras que tiveram suas participações negadas durante a constituição da historiografia literária. Que a literatura possa, cada vez mais, tocar a sensibilidade das pessoas para que superem preconceitos e ódio. Que a sociedade se torne, cada dia, mais harmônica e equilibrada sempre se pautando pelo respeito às diferenças e pela convivência pacífica entre os povos.

[foto do Facebook da autora]

Que a exemplo da escritora Eliane Potiguara, cada vez mais mulheres sejam reconhecidas, dentro e fora dos espaços institucionais, cada vez mais indígenas, negros e negras sejam reconhecidos e reconhecidas. E que a diferença não seja mais critério de exclusão, mas que possa ensinar o respeito pela diversidade.

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 Para ADQUIRIR as obras de Eliane Potiguara e conhecer mais sobre seu percurso literário, visite o site da autora AQUI.


Referência:

POTIGUARA, Eliane. Metade Cara, Metade Máscara. 3ª ed. Rio de janeiro: Grumin Edições, 2018.

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Heliene Rosa é poeta mineira, professora e pesquisadora das poéticas femininas. Escreve para o Blog Feminário Conexões e publica textos em antologias literárias nacionais e internacionais. Além da produção poética, tem publicações acadêmicas sobre a produção feminina na literatura e articula projetos e eventos de leitura literária.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

ENLUARADAS/II FLENLUA: O QUE GRITA A SUA POESIA?, POR HELIENE ROSA

LÍRICA, ÉTICA E FILOSOFIA: MULHER, O QUE GRITA A SUA POESIA? - II FLENLUA/2023 - MESA 5

POR HELIENE ROSA 

Heliene Rosa
Escritora, poeta, pesquisadora
A definição do tema: “Lírica, ética e filosofia: mulher, o que grita a sua poesia?”  para a quinta mesa do II Festival Literário Enluaradas – FLENLUA/2023 teve como motivação principal o desejo de conhecer a essência da escrita literária de cada poeta. Assim, cada autora foi estimulada a refletir sobre o seu fazer poético, no contexto de produção do último volume da trilogia do Coletivo Enluaradas: a coletânea I Tomo das Bruxas: do Ventre à Vida (2022).



Diante dessa provocação, a poeta Malu Baumgarten revelou que a sua poesia se consolida na complexidade de ser e de estar no mundo, sob a égide dos desafios e das incoerências humanas na modernidade tardia. A participação virtual da escritora, a partir do Canadá, aconteceu coincidentemente sob um frio intenso. Em relação à sua escrita, é possível perceber intenso lirismo apoiado em uma ética da solidariedade. Intimismo e emoção se aliam para a projeção de ideais que problematizam o que se convencionou chamar de humanidade, sob o prisma do capitalismo selvagem. Nesse contexto, a autora manifesta sua sensibilidade diante do que vê no mundo.  No cenário de seu poema: Carlton e a rua da igreja, declamado durante a live da feira literária, há uma mulher que dança seminua em uma das ruas geladas da cidade de Toronto. Enquanto isso, um homem caminha maltrapilho e sem sapatos, sob o ar gélido de oito graus centígrados. Ambos compõem um espetáculo fantasmagórico presenciado por passantes que se encolhem indiferentes na calçada. A lente de Malu Baumgarten flagra a displicência da sociedade diante da miséria e do caos psicológico presenciados na rua. Há, na semelhança com a temperatura ambiente, neve nos corações, na alma e nos olhos que olham sem ver a dor dos semelhantes. Em versos contundentes, desnuda-se a incoerência nas atitudes de gentlemen e ladies bem-nascidos, bem vestidos e bem nutridos que naturalizam as injustiças sociais pela falta de sensibilidade diante do infortúnio dos corpos que “dançam” na neve. A poesia de Malu Baumgarten grita contra a insensibilidade e os desacertos do mundo.


Com foco no poder que a escrita agrega à trajetória das mulheres intelectuais, Jeane Bordignon, poeta porto-alegrense, celebra a superação gradual do anonimato feminino na literatura quando realça a importância da assinatura das escritoras em suas produções. Ela reafirma o poder das lutas por visibilidade com a publicação de seu livro de poemas O Brado Carmesim (2014). O grito das mulheres, representado em sua escrita poética, revela a força e a sabedoria ancestrais trazidas pelo vento e materializadas no voo/dança das deusas, das fadas, das ciganas e das mulheres que bebem do sol e da chuva, em perfeita integração com os elementais. Em seus versos, a autora celebra a força que a escrita das mulheres reúne para vencer, muitas vezes com palavras até cortantes, a subalternidade feminina. O poema intitulado Cigana-Borboleta, presente na coletânea I Tomo das Bruxas: Do ventre à vida (2022, p.49), evidencia o desejo/necessidade de liberdade das mulheres que rompem com alguns padrões comportamentais, se expressam de múltiplas formas e fogem das convenções, das amarras e dos estigmas sociais. A poesia de Jeane Bordignon grita poder feminino e liberdade.

A liberdade para o exercício do poder feminino por meio da escrita literária não descarta o sublime nem a metafísica. Nesse sentido, a poeta, terapeuta holística e astróloga, Astrid Schein Bender, a TidaFeliz expressa em sua escrita autoral uma conexão intensa com a natureza e reverbera a potência feminina da criação. Ela ressalta o caráter testemunhal de sua poesia a partir da materialização de questões idiossincráticas de sua trajetória como discípula da vida em constante aprendizado. O envolvimento com a terapêutica holística instrumentaliza o olhar dessa poeta a explorar aspectos que transcendem o real imediato e favorecem a abertura para novos aprendizados a partir das e para as artes poéticas. Nos versos de seu poema: Sob um Céu Encantado, presente na coletânea I Tomo das Bruxas: Do ventre à vida (2022, p.190), ela aborda um segredo ancestral de manifestação do ser, em que sonho e revelação se oferecem como opções introspectivas na úmida verdade de um céu habitado por flores mágicas e coloridas. Na tessitura de seu poema, vicejam a alegria e o amor que hoje move a escrita das mulheres, das bruxas contemporâneas que se conectam com o sagrado feminino ancestral para revelar subjetividades, beleza e histórias. A poesia de TidaFeliz grita encantamento e magia.


Os desafios impostos à expressão das intelectuais e artistas da palavra ao longo do tempo movem a atuação de Heliana Barriga, poeta com 40 anos de dedicação à literatura. Ela é artista musical, Embaixadora das Infâncias e apresentadora do programa infantil A Arte de Ser Criança. Com sua escrita irreverente e combativa, ela burila a palavra viva na ludicidade poética da emoção de despertar para o novo a cada momento. Assim, vem se ocupando com a poesia das infâncias, estimulando a escrita entre as crianças nas escolas. A autora explora o caráter experimental da poesia e o non sense, vive a poesia no cotidiano como emoção. Ela é uma bruxa contemporânea que estreia o dia com poesia e alegria. Nos versos de seu poema: Dibruxa, presente na coletânea I Tomo das Bruxas: Do ventre à vida (2022, p.41), Heliana Barriga interroga essas bruxas diante da materialidade do viver e ressalta a magia necessária às atividades que lhes são inerentes. Nesse exercício, a poeta desconstrói a rigidez da linguagem para alcançar inusitados sentidos, significados pertinentes ao universo versátil das feiticeiras pós-modernas. Ela reitera o elo perene das gerações e a força da ancestralidade que nutre os poderes femininos: “...bruxas novas sempre precisarão das bruxas antigas. As bruxas antigas é que têm as receitas antigas...”. A poeta conduz sua arte para o enfrentamento das questões pontuais pela valorização da cultura, do ensino e o combate às variadas formas de injustiça social. A poesia de Heliana Barriga grita teimosia e resistência.


A plurissignificação da palavra poética e a ambiguidade constitutiva da linguagem se materializam na escrita da poeta, pedagoga e ambientalista Sandra A. Santos. Ela situa a poesia no âmbito da provocação e do acalento, ao ressaltar o caráter comunicativo e a potência do dizer nas entrelinhas que reverbera em cada verso, que – no contexto de sua produção  se transforma em força para as lutas da existência. A arte da escrita poética pulsa em suas veias como um legado parental, ela revela ter tido pai poeta. Assim, seus versos transitam de um lirismo delicado onde borboletas batem asas e beijam flores até a ética das lutas contra todos os tipos de abuso.  A assertividade de sua poesia lembra que somos seres desejantes e, por essa razão, também seres de poder. Essa dinâmica instaura e materializa as batalhas cotidianas contra a palavra vazia. Nos versos de seu poema: Revolução, presente na coletânea I Tomo das Bruxas: Do ventre à vida (2022, p.176), há uma voz lírica exaurida que faz o verbo ecoar no protagonismo da palavra poética. Persistente, essa voz revela sua estratégia: “Só sei lutar com verso”.  A poesia de Sandra A. Santos grita lirismo e revolução.


Os movimentos cíclicos que aproximam os corpos femininos ao corpo da Mãe Terra estabelecem uma identidade de poder para as mulheres que não escapa à produção autoral da poeta Hydelvídia Cavalcante, de Manaus/AM. Ela é professora doutora em Linguística e desenvolve projetos voltados para o falar amazonense. Na expressão lírica da sua poesia, percebe-se o grito pela ética que eleva as vozes femininas nos saberes e poderes necessários à ascensão dessas poéticas e à elevação da estima das mulheres. Nos versos de seu poema: Berço Orgânico da Vida, presente na coletânea I Tomo das Bruxas: Do ventre à vida (2022, p.67), a autora aciona a força do sagrado feminino na criação humana ao reverenciar a figura da mulher em sua justa posição de portal para a terceira dimensão. Reafirmar essa verdade objetiva também é estabelecer uma ética do conhecimento a despeito de quaisquer vinculações filosóficas que intentem sugerir ou legitimar a negação do poder das mulheres na criação, na nutrição e na manutenção da vida. Nas palavras dela: “A natureza anatômica do ser humano mulher / traz em seu cerne a dadivosa iniciação da vida...”. A poesia de Hydelvídia Cavalcante grita amor e feminilidade.

Os desdobramentos da aventura feminina pelos caminhos da escrita autoral vêm revelando que não basta competência intelectual para se sobressair nesse universo. São necessárias diversas estratégias, às quais a poeta Manuela Lopes Dipp se refere, de forma paradoxal. Ela lembra o poder e o perigo da literatura ao reafirmar a seriedade da escrita e requisitar para as mulheres escritoras o direito ao status de profissionais das Letras, com todos os reconhecimentos devidos e merecidos. Ela reafirma, enfaticamente, o labor da escrita e o caráter revolucionário desse ofício. Natural de Porto Alegre/RS e formada em Direito, Manuela Lopes Dipp declara não ser uma profissional do Direito que escreve, mas uma escritora que, entre outras atribuições, atua nessa área. A autora lembra ser indispensável estimular as novas gerações de mulheres para que lutem por esse reconhecimento para a profissão de escritora. Seu poema: Feitiço, presente na coletânea I Tomo das Bruxas: Do ventre à vida (2022, p.116), faz referência ao silenciamento secular das mulheres e às estratégias para manutenção da subalternidade feminina na contemporaneidade. Reposiciona o papel das lutas femininas em favor da extinção das fogueiras  em suas diversas formas e variadas manifestações – para que sejam banidas juntamente com práticas da opressão feminina que são continuamente perpetuadas e naturalizadas nas sociedades machistas. A poesia de Manuela Lopes Dipp grita respeito e reconhecimento.


A síntese das discussões propostas nesse encontro de mulheres escritoras é anunciada pela poética de Rita Queiroz. A poeta da capital baiana também é professora doutora em Filologia com extensa produção literária e competência reconhecida no campo da escrita autoral. Os versos de seu poema: Fervedouro de Sementes, presente na coletânea I Tomo das Bruxas: Do ventre à vida (2022, p.155) resgatam quimeras primitivas, sonhos gestados nos ventres das primeiras bruxas e a força ancestral que vem da alquimia e do gozo. Desejos forjados nas lutas por transformações empreendidas por mulheres em diferentes lugares e tempos: “Na pluralidade de eras...”. Sementes deixadas por bruxas antigas e contemporâneas, deixadas por todas nós que; “Fabricamos o mundo, o tempo, o infinito”. Sua poética resgata a força motriz da ancestralidade no universo das autoras da trilogia, as bruxas contemporâneas que elevam suas vozes na segurança do poder e do conhecimento ancestral: o sagrado feminino que pulsa em cada ventre. A poesia de Rita Queiroz grita vida e plenitude!


A mediação desse potente encontro feminino suscitou reflexões importantes para a minha trajetória como pesquisadora das poéticas femininas. Quando defendi a minha tese de doutorado sobre as poéticas das mulheres indígenas há dois anos, comecei a me interessar por temas que permeiam a escrita das mulheres e, principalmente, por temas que as motivam a escrever e a publicar. Assim, recebo essas provocações como estímulo para a minha constante investigação sobre o tema e também como um grande impulso para a minha produção autoral.

Agradeço às escritoras Patricia Cacau e Marta Cortezão que são as idealizadoras desse importante projeto, pela oportunidade de partilhar desse momento histórico na produção literária brasileira de autoria feminina coletiva. O registro dessas atividades é imprescindível para a historiografia da literatura brasileira, sobretudo no seguimento da produção das mulheres, historicamente apagada pelos cânones tradicionais.

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Heliene Rosa é poeta mineira, professora e pesquisadora das poéticas femininas. Escreve para o Blog Feminário Conexões e publica textos em antologias literárias nacionais e internacionais. Além da produção poética, tem publicações acadêmicas sobre a produção feminina na literatura e articula projetos e eventos de leitura literária.

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