Mostrando postagens com marcador Janete Manacá. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Janete Manacá. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

GRÁVIDA DE MÚSICAS E CANÇÕES, OFERTO-LHES OS DEVANEIOS POÉTICOS DE JANETE MANACÁ

Montagem de Elizabete Nascimento
 

GRÁVIDA DE MÚSICAS E CANÇÕES, OFERTO-LHES OS DEVANEIOS POÉTICOS DE JANETE MANACÁ

 Por Maria Elizabete N. de Oliveira


A importância vocal de uma palavra deve, por si só, prender a atenção de um fenomenólogo da poesia. A palavra alma pode ser dita poeticamente com tal convicção que anima todo um poema. O registro poético que corresponde à alma deve, pois, ficar em aberto para as nossas indagações fenomenológicas.

 

Gaston Bachelard, 2005

 

 Oferto-lhes para brinde natalino, nesse ano de 2025, o poema Aborto, de Janete Manacá:                       

ABORTOS 

é imprescindível expulsar as tristezas internas

e esvaziar-se para receber as dádivas do amanhä

 

abortei tudo que ouvi

durante toda a minha vida

e que intoxicou o meu corpo

abortei as cicatrizes internas

cada pedra que me atiraram

e as palavras que me dilaceraram

abortei as culpas que me impuseram

mágoas dos abraços negados

e o pavor de ser rejeitada

abortei o incômodo da ingratidão

as vezes que fingiram não me ver

o rosto virado para não me cumprimentar

abortei as críticas ácidas e cruéis

as mentiras que disseram a meu respeito

e o meu pânico diante do espelho

abortei o sentimento de impotência

as lágrimas cristalizadas na alma

e tudo que neguei por não me aceitar

hoje em êxtase e grávida de músicas

eu quero apenas parir canções de amor

que possam inspirar outras gerações.

Antonio Candido (2011), em sua teoria sobre a função humanizadora da literatura, endossa que a arte literária é essencial para que o ser humano se reconheça, se sensibilize e transcenda sua própria existência. O poema de Janete Manacá dialoga diretamente com essa perspectiva, pois o "abortar" simbólico descrito no texto não é apenas um ato de negação, mas um processo de libertação e reconstrução do eu, vejamos: Abortei tudo que ouvi/ durante toda a minha vida.

O poema atribui voz à subjetividade de um eu que busca se purificar das amarras sociais, das narrativas que o aprisionam. Nesse ínterim, Candido sugere que a literatura é um espaço de reconstrução da dignidade humana, e nesse poema, o eu lírico busca essa redenção ao expulsar as "intoxicações" advindas do sistema capitalista no qual nos inserimos. Nessa vertente, literatura é catártica e humanizadora, pois apresenta como culminância desse processo: [...] quero apenas parir canções de amor / que possam inspirar outras gerações. Assim, a literatura e a arte apresentam o movimento entre a morte e o renascimento como dádivas criativas que ultrapassam o sofrimento individual, transformando-se em bens coletivos, reflexos dos processos humanizadores defendidos pelo autor.

Ainda na vertente do diálogo, Beth Brait (2010) discute as vozes discursivas ao convidar para o debate o dialogismo baktiniano e enfatizar que a literatura é um espaço de diálogo entre múltiplas vozes e discursos. Assim, o poema "Abortos" pode ser lido como uma resposta direta a vozes sociais opressoras e internalizadas, em um processo de confronto e apagamento dessas vozes, em  [...] as palavras que me dilaceraram e [...] as críticas ácidas e cruéis; Janete Manacá dá destaque às vozes que marcam negativamente à identidade do sujeito. Essas falas sociais tornam-se tóxicas e devem ser "abortadas". O poema, portanto, insere-se em um jogo dialógico: primeiro, escuta-se a voz opressora, depois, ela é rejeitada e transformada.   O "eu lírico" constrói uma nova voz ao dizer: [..] hoje em êxtase e grávida de músicas. Um enunciado marcado por positividade, amor e criação que sugere uma ruptura com o discurso anterior. Ao considerar a voz de Beth Brait, trata-se de um deslocamento do sentido: o discurso opressor é esvaziado para dar lugar a uma nova enunciação.

Essa nova enunciação alia-se as imagens propostas por Gaston Bachelard e a poética do espaço interior, em sua obra A Poética do Espaço (2005), pois estas surgem da interioridade do ser humano, ao analisar a casa como metáfora do eu, com seus espaços íntimos e ocultos. No poema "Abortos", o corpo e a alma do eu lírico tornam-se esse espaço simbólico, no qual dores e experiências negativas foram "guardadas" e precisam ser expulsas e o ato de "abortar" pode ser interpretado como uma [...] limpeza do espaço interno: /[...] é imprescindível expulsar as tristezas internas e esvaziar-se. A imagem do esvaziamento apresenta-se como um ato essencial para a renovação do ser. Segundo Bachelard, o espaço precisa ser "preparado" para o novo, assim como a alma do eu lírico se prepara para "parir canções de amor". O autor valoriza a imagem do sonho e da criação poética. Assim, o "êxtase" e a gravidez de músicas simbolizam um espaço imaginário onde a criação poética surge como forma de ressignificação da vida.

Essa concepção emaranha-se também à poética do tempo e do renascimento de Octavio Paz (1982), em que o autor apresenta a ideia de morte e renascimento como centrais ao fazer poético. Para Paz, a poesia é capaz de quebrar o tempo linear, transformando o passado em presente e criando um novo futuro. Neste viés, o poema "Abortos" encarna esse ciclo de morte simbólica e renascimento criativo, pois o ato de abortar simboliza o fim de um ciclo marcado pela dor e pela rejeição: [...] abortei as culpas que me impuseram / mágoas dos abraços negados. A palavra "abortar" é impactante porque carrega uma conotação de interrupção, mas no contexto do poema, ela é ressignificada como libertação, redimensiona o sentido inicial. Octavio Paz diria que o tempo é refeito aqui: as culpas passadas são "abortadas" para que o eu lírico possa se recriar no presente. Deste modo, o poema culmina em um futuro criativo e inspirador: [...] quero apenas parir canções de amor. Esse verso dialoga com a ideia de Octavio Paz de que a poesia é um ato de criação que transcende a destruição, sendo o amor e a música símbolos do renascimento do eu e a sua capacidade de oferecer algo ao mundo ao romper com o ciclo de dor.

Podemos inferir que o poema "Abortos" de Janete Manacá é uma poderosa expressão do renascimento do sujeito feminino, que, ao "abortar" tudo o que o oprime, reconstrói-se de forma criativa e amorosa. Por intermédios das lentes teóricas de Antonio Candido, Beth Brait, Gaston Bachelard e Octavio Paz, percebe-se que o texto dialoga com a literatura como espaço humanizador, com a ruptura dos discursos opressores, com a poética da interioridade e com o tempo cíclico de morte e de criação, tão caro à literatura de autoria feminina porque é a própria pele. Assim, o ato de "parir canções de amor" simboliza não apenas a superação pessoal, mas também o compromisso do eu lírico feminino [por que parir é uma ação exclusivamente feminina] com um futuro inspirador que se conecta a função essencial da arte e da poesia: transformar dores em dádivas.

Que possamos, minhas companheiras, parir muitas canções de amor em 2025 e continuar com a po-ética do abraço.

Um brinde à vida!

 Referências bibliográficas

BACHELARD, Gaston. A poética do espaço. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

BRAIT, Beth. Literatura e outras linguagens. São Paulo: Contexto, 2010.

CANDIDO. Antonio. O direito à literatura. In: CANDIDO, Antonio. Vários Escritos. Rio de Janeiro: Ouro sobre azul, 2011.

CORTEZÃO, Marta. II Tomo das bruxas: corpo & memória. Curitiba: Eu-i, 2024.

PAZ, Octavio. O arco e a lira. Trad. Olga Savary. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.

** Imagens do texto - fonte: Pinterest.

 ☆_____________________☆_____________________☆



Janete Manacá (Cuiabá/MT) - é devota de Gaia, apaixonada pela vida, rios, florestas, animais... Tem a poesia como uma grande aliada e a música uma dádiva, ambas se complementam no seu bailado cotidiano para se autoconhecer, ser melhor e superviver.



☆_____________________☆_____________________☆ 


Elizabete Nascimento (Cáceres/MT) -  é poeta, professora e avó. O silêncio e o tempo são seus mestres e, por isso, tenta guardar as dores com dignidade e as ressignifica em páginas, na ânsia de apontar que o verbo pode ser abrigo, cura e voo. Cada palavra que rabisca é na tentativa de ofertar um sopro de esperança ao mundo. Aprendeu que escrever e amar são, voos de pássaros, os únicos caminhos, verdadeiramente, eternos.

domingo, 16 de janeiro de 2022

MOMENTO COM GAIA: Poesia em tempos de pandemia|83

 



Momento com Gaia/83


Esse projeto, de autoria da poeta Janete Manacá, nasceu em 16 de março de 2020, com a chegada da Pandemia causada pelo novo Covid-19. Por se tratar de algo até então desconhecido, muitas pessoas passaram a desenvolver ansiedade, depressão e síndrome de pânico. Com o desejo de propiciar a essas um “momento poético” no conforto dos seus lares, toda a noite é enviado, via WhatsApp, um áudio com poesias de sua autoria para centenas de pessoas do Brasil e de outros países. E estas são replicadas pelos receptores. Acompanhe o poema abaixo:


                                                                      Por Janete Manacá

Para ouvir o PODCAST clique AQUI.


Em estado de alerta


mesmo enquanto eu dormir
que o meu inconsciente esteja alerta
para os teus ensinamentos seguir

a veneração que sinto por ti 
não tem limites, nem fronteiras
é um voo de entrega, sem barreiras

todos os meus sonhos
repousam sobre o seu corpo
expressão do amor universal

que as letras formem palavras
na inquietude dos meus versos
e expressem a grandeza do teu afeto

que eu possa cada vez mais
cultivar a terra para receber sementes
e fazer de cada deserto um oásis

que as minhas poesias sejam orações
a reverberar em cada coração
o cuidado e a dedicação dos guardiões
enfim que as minhas lágrimas
sejam celebrações de alegria
por um amanhã de esperança e sabedoria




quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

MOMENTO COM GAIA: Poesia em tempos de pandemia|82

 


Momento com Gaia/82


Esse projeto, de autoria da poeta Janete Manacá, nasceu em 16 de março de 2020, com a chegada da Pandemia causada pelo novo Covid-19. Por se tratar de algo até então desconhecido, muitas pessoas passaram a desenvolver ansiedade, depressão e síndrome de pânico. Com o desejo de propiciar a essas um “momento poético” no conforto dos seus lares, toda a noite é enviado, via WhatsApp, um áudio com poesias de sua autoria para centenas de pessoas do Brasil e de outros países. E estas são replicadas pelos receptores. Acompanhe o poema abaixo:


                                                                      Por Janete Manacá





Para ouvir o PODCAST clique AQUI.


Senhora lunar


ah quantas noites
passaste comigo
a brincar no meu lago interno

refletida dentro de mim
iluminava os meus abismos
e preenchia-os de esperança

tão aquática, tão doce
tão pura, tão nua
tão bela, tão lua

inundava-me de mistérios
em diálogos telepáticos
e desenhava meus versos
maternal e carinhosa
abençoava o meu ser
com tão benfazeja luz

acalmava as minhas águas
meus tormentos
minhas mágoas

sagrada senhora lunar
foi nesses encontros noturnos
que eu aprendi a te amar




quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

MOMENTO COM GAIA: Poesia em tempos de pandemia|81

 



Momento com Gaia/81


Esse projeto, de autoria da poeta Janete Manacá, nasceu em 16 de março de 2020, com a chegada da Pandemia causada pelo novo Covid-19. Por se tratar de algo até então desconhecido, muitas pessoas passaram a desenvolver ansiedade, depressão e síndrome de pânico. Com o desejo de propiciar a essas um “momento poético” no conforto dos seus lares, toda a noite é enviado, via WhatsApp, um áudio com poesias de sua autoria para centenas de pessoas do Brasil e de outros países. E estas são replicadas pelos receptores. Acompanhe o poema abaixo:


                                                                      Por Janete Manacá





Para ouvir o PODCAST clique AQUI.


Estelar


                                           À Poesia Manacá

qual o sentido da vida 
se não podermos ajudar 
quem não aprendeu a confiar?

quem somos nós
que nos perdemos na arrogância
e assustamos com as nossas sombras?

hoje minha criança angelical voou
disse que queria brincar no céu
ser uma linda estrela e brilhar

só poderia partir sozinha
porque íngreme eram os caminhos
deixou meu coração em pedaços

doei a ela as minhas douradas asas
para poder ultrapassar os limites 
da imensidão dessa travessia solar

nosso adeus foi entre lágrimas
uma separação apenas dimensional
entre o céu e a terra, a lua e o mar

à  sombra da árvore noturna
voltarei sempre para te visitar
minha pequena rebelde  agora Poesia estelar




terça-feira, 28 de dezembro de 2021

MOMENTO COM GAIA: Poesia em tempos de pandemia|80




 Momento com Gaia/80


Esse projeto, de autoria da poeta Janete Manacá, nasceu em 16 de março de 2020, com a chegada da Pandemia causada pelo novo Covid-19. Por se tratar de algo até então desconhecido, muitas pessoas passaram a desenvolver ansiedade, depressão e síndrome de pânico. Com o desejo de propiciar a essas um “momento poético” no conforto dos seus lares, toda a noite é enviado, via WhatsApp, um áudio com poesias de sua autoria para centenas de pessoas do Brasil e de outros países. E estas são replicadas pelos receptores. Acompanhe o poema abaixo:


                                                                      Por Janete Manacá




Para ouvir o PODCAST clique AQUI.


Pungência


em cada respiração a certeza da vida

que pulsava naquele frágil corpo

ao se preparar para a grande travessia


tantas histórias em minha mente

como um filme em câmara lenta

ao ver a luz dos seus olhos se apagando


chegou com tanto vigor e energia 

independente, forte, arredia

minha pequena Poesia de luz


roubou meu coração e meu tempo

deu outro sentido a minha rotina

hoje eu só queria que ela fosse eterna


mas há querer que tem validade

então a vida se prepara para a saudade

e o mundo continua com seus mistérios


se eu tivesse me preparado para deixa-la voar

talvez doesse menos, mas a dor é pungente

e a impotência, incontrolável, desoladora


restará um vazio que nunca será preenchido

porque somos únicos com os nossos exageros

mas acima de tudo somos amor, puro e verdadeiro




terça-feira, 21 de dezembro de 2021

MOMENTO COM GAIA: Poesia em tempos de pandemia|79




Momento com Gaia/79


Esse projeto, de autoria da poeta Janete Manacá, nasceu em 16 de março de 2020, com a chegada da Pandemia causada pelo novo Covid-19. Por se tratar de algo até então desconhecido, muitas pessoas passaram a desenvolver ansiedade, depressão e síndrome de pânico. Com o desejo de propiciar a essas um “momento poético” no conforto dos seus lares, toda a noite é enviado, via WhatsApp, um áudio com poesias de sua autoria para centenas de pessoas do Brasil e de outros países. E estas são replicadas pelos receptores. Acompanhe o poema abaixo:


                                                                      Por Janete Manacá




Para ouvir o PODCAST clique AQUI.


Banco vazio


hoje é apenas um banco vazio

que guarda segredos e histórias

da liquidez efêmera dos sentimentos


folhas pálidas debruçadas no chão

oferecem melancolia à paisagem

dos outonos que juntos vivemos


o banco sempre no mesmo lugar

à sombra de uma robusta figueira

propícia a muitos encontros


o bosque continua o seu fluxo

os pássaros cantam e brincam 

com o mesmo sol a iluminar os dias


meu corpo está ali presente

mas o meu olhar distante e ausente

perdido num emaranhado de lembranças


as lágrimas insistem em molhar o rosto

uma saudade incontida presente 

ah, se eu pudesse viver tudo novamente


porém, já não sou mais quem eu fui um dia

agora o outono veio morar dentro de mim

serei como as folhas de volta para casa, enfim...




segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

MOMENTO COM GAIA: Poesia em tempos de pandemia|78




Momento com Gaia/78


Esse projeto, de autoria da poeta Janete Manacá, nasceu em 16 de março de 2020, com a chegada da Pandemia causada pelo novo Covid-19. Por se tratar de algo até então desconhecido, muitas pessoas passaram a desenvolver ansiedade, depressão e síndrome de pânico. Com o desejo de propiciar a essas um “momento poético” no conforto dos seus lares, toda a noite é enviado, via WhatsApp, um áudio com poesias de sua autoria para centenas de pessoas do Brasil e de outros países. E estas são replicadas pelos receptores. Acompanhe o poema abaixo:


                                                                       Por Janete Manacá




Para ouvir o PODCAST clique AQUI.


Um rio

(13/12/2021)


preciso urgente de um rio

com fluxo natural e calmo 

sem contaminação, para lavar a dor


pode ser o rio da minha infância

com águas límpidas, cristalinas

como um espelho a refletir o céu


onde patos, gansos e crianças

juntos possam brincar em paz

nos verdes gramados do campo


um rio que nos transporta

por sua musical inspiração

com peixes nadando sem medo


um lugar que se pode sentar

refletir as tristezas de fim de tarde

deixar a lágrima cair de saudade


ah, é tão grande essa urgência 

por viver sem ter nenhuma certeza

do amanhã que minh’alma almeja


mas enquanto esse rio não chega

eu sobrevivo na avassaladora correnteza

das lágrimas do desespero, da incerteza




domingo, 12 de dezembro de 2021

MOMENTO COM GAIA: Poesia em tempos de pandemia|77




Momento com Gaia/77


Esse projeto, de autoria da poeta Janete Manacá, nasceu em 16 de março de 2020, com a chegada da Pandemia causada pelo novo Covid-19. Por se tratar de algo até então desconhecido, muitas pessoas passaram a desenvolver ansiedade, depressão e síndrome de pânico. Com o desejo de propiciar a essas um “momento poético” no conforto dos seus lares, toda a noite é enviado, via WhatsApp, um áudio com poesias de sua autoria para centenas de pessoas do Brasil e de outros países. E estas são replicadas pelos receptores. Acompanhe o poema abaixo:


Por Janete Manacá




Para ouvir o PODCAST clique AQUI


Encontro com a paz


ansiei loucamente pela paz

sobrevoei ao meu redor à procura

infelizmente nada encontrei


fui buscar junto aos amigos

em cada canto da cidade

nos bosques, nos parques


tentei encontrar na música

naveguei junto às poesias

peregrinei em tantas igrejas


entre perfumes dos jardins

em volta das cachoeiras

nas correntezas dos rios


sobre as verdejantes montanhas

nas paisagens do pôr do sol

no brilho da estrela guia


e quanto mais eu a buscava 

mais longe dela eu me encontrava

tropeçando nos próprios pés


então fiz uma viagem ao meu interior

como quem se entrega à sede de ser

e encontrei a paz na simplicidade de viver




quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

MOMENTO COM GAIA: Poesia em tempos de pandemia|76



Momento com Gaia/76


Esse projeto, de autoria da poeta Janete Manacá, nasceu em 16 de março de 2020, com a chegada da Pandemia causada pelo novo Covid-19. Por se tratar de algo até então desconhecido, muitas pessoas passaram a desenvolver ansiedade, depressão e síndrome de pânico. Com o desejo de propiciar a essas um “momento poético” no conforto dos seus lares, toda a noite é enviado, via WhatsApp, um áudio com poesias de sua autoria para centenas de pessoas do Brasil e de outros países. E estas são replicadas pelos receptores. Acompanhe o poema abaixo:


Por Janete Manacá




Para ouvir o PODCAST clique AQUI.


Arte em retalhos

 

costurava até altas horas da noite

tinha muitos filhos para alimentar

seu sustendo vinha da máquina de costura

 

casa de tábua coberta com sapé

fogão de lenha e chão batido

vista cansada, sombria luz da lamparina

 

em seus cestos de palhas guardava os retalhos

rigorosa separava por cores que combinavam

e colocava nos cestos com o nome dos filhos

 

nas raras horas de folga 

ia montando as suas colchas

como quem tece os fios da vida

 

tudo era minuciosamente pensado

cortado com a delicadeza das suas mãos

simetricamente costurado, com amor

 

triângulos, quadrados, retângulos 

formatos geométricos perfeitos

tom sobre tom, beleza e bom gosto

 

hoje os filhos repousam sobre obras de arte

feitas com a simplicidade daquela mulher de sorriso fácil

que nas madrugadas desafiava a rigorosidade do tempo




sexta-feira, 26 de novembro de 2021

MOMENTO COM GAIA: Poesia em tempos de pandemia|75



Momento com Gaia/75


Esse projeto, de autoria da poeta Janete Manacá, nasceu em 16 de março de 2020, com a chegada da Pandemia causada pelo novo Covid-19. Por se tratar de algo até então desconhecido, muitas pessoas passaram a desenvolver ansiedade, depressão e síndrome de pânico. Com o desejo de propiciar a essas um “momento poético” no conforto dos seus lares, toda a noite é enviado, via WhatsApp, um áudio com poesias de sua autoria para centenas de pessoas do Brasil e de outros países. E estas são replicadas pelos receptores. Acompanhe o poema abaixo:


Por Janete Manacá




Para ouvir o PODCAST clique AQUI.


Não nos ensinaram a viver


morremos um pouco a cada dia 

quando adiamos os nossos sonhos

deixamos de perdoar por motivos fúteis


sacrificamos o agora em prol do amanhã

ignoramos as virtudes do outro

esquecemos de declarar o nosso amor


morremos um pouco a cada dia 

entrelaçados com as nossas vaidades

ao alimentarmos o nosso egoísmo


ocupando espaço no nosso coração

para inveja, maldade e julgamentos

e quando deixamos de estender a mão


morremos um pouco a cada dia 

ao cruzarmos os braços diante das injustiças

e silenciarmos ante as atrocidades


ao negarmos um pedaço de pão

fingimos não ver a fome no mundo

contribuímos om a destruição do planeta


com a miserabilidade das nossas ações

pela incapacidade de ir além dos nossos umbigos

morremos... porque não nos ensinaram a viver




domingo, 21 de novembro de 2021

MOMENTO COM GAIA: Poesia em tempos de pandemia|74

 



Momento com Gaia/74


Esse projeto, de autoria da poeta Janete Manacá, nasceu em 16 de março de 2020, com a chegada da Pandemia causada pelo novo Covid-19. Por se tratar de algo até então desconhecido, muitas pessoas passaram a desenvolver ansiedade, depressão e síndrome de pânico. Com o desejo de propiciar a essas um “momento poético” no conforto dos seus lares, toda a noite é enviado, via WhatsApp, um áudio com poesias de sua autoria para centenas de pessoas do Brasil e de outros países. E estas são replicadas pelos receptores. Acompanhe o poema abaixo:


Por Janete Manacá


Para ouvir o PODCAST clique AQUI.


Um novo tempo


uma nova terra está por vir

sem vaidade, emoção exacerbada

julgamento e competição


um espaço de afeto e respeito à vida

para caminharmos lado a lado

e falarmos a mesma linguagem


um novo tempo prenuncia a sua chegada

onde nos alimentaremos juntos

e beberemos da mesma água


poderemos ser nós mesmos

sem subterfúgios ou máscaras sociais

nus, autênticos e sem disfarces


uma nova era já desponta

expõe o que estava escondido 

e traz à tona toda a perversidade


não há mais lugar para desamor

jogos, manipulações, inverdades

faz-se urgente pacificarmos o mundo


um novo sol nos convoca a sermos luzes

na calorosa proteção dos nossos abraços

e girarmos a ciranda dos afetos e sermos laços




terça-feira, 16 de novembro de 2021

MOMENTO COM GAIA: Poesia em tempos de pandemia|73




Momento com Gaia/73


Esse projeto, de autoria da poeta Janete Manacá, nasceu em 16 de março de 2020, com a chegada da Pandemia causada pelo novo Covid-19. Por se tratar de algo até então desconhecido, muitas pessoas passaram a desenvolver ansiedade, depressão e síndrome de pânico. Com o desejo de propiciar a essas um “momento poético” no conforto dos seus lares, toda a noite é enviado, via WhatsApp, um áudio com poesias de sua autoria para centenas de pessoas do Brasil e de outros países. E estas são replicadas pelos receptores. Acompanhe o poema abaixo:


Por Janete Manacá




Para ouvir o PODCAST clique AQUI.


O avesso


a vida é um caleidoscópio 

com múltiplas probabilidades

cabe a cada um de nós decidir


qual o caminho seguir

qual cor do arco-íris escolher

qual nota musical tocar


casar, ter filhos, ser mãe, cuidar

viajar, conhecer o mundo, sonhar

escrever, costurar, bordar, cozinhar


ser benzedeira, parteira, doceira

ser erveira, taróloga, lavadeira

ser alquimista, camponesa, rezadeira


com palavras mover a multidão

com ações seguir em frente, ser direção

com gentileza, ser afeto, dedicação


com o canto invocar a harmonia

com a dança buscar o equilíbrio

com afeto embalar o sono do mundo


oferecer colo, ser paz e aconchego

ser proteção, sábia, guardiã

ou às vezes ser apenas o avesso




Feminário Conexões, o blog que conecta você!

A DROGA DA VIOLÊNCIA E O MACHISMO

  A DROGA DA VIOLÊNCIA E O MACHISMO Por  Margarida Montejano Imagem Pinterest Quando eu e minha irmã éramos crianças, morávamos com nossos p...