domingo, 8 de março de 2026
O DIA INTERNACIONAL DA MULHER
segunda-feira, 22 de dezembro de 2025
62 ANOS ! (SOBRE)VIVER É UM ATO POLÍTICO
"Escrevo porque a palavra sempre foi minha ferramenta de sobrevivência."
Hoje completo 62 anos. Entrego minha idade com velas mágicas e com o corpo inteiro aceso. Celebrar a minha vida como mulher, neste país onde mulheres são interrompidas diariamente, é um gesto que carrega peso histórico, ético e político.
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| Arquivo da autora |
Enquanto escrevo esse texto, penso nas Tainaras, Isabelas e milhares de outras que não chegaram até aqui. Penso nas mulheres cujos aniversários foram silenciados pelo feminicídio, essa chaga social que o sistema não consegue encontrar a cura, e que lobos disfarçados de cordeiros romantizam dizendo ser adquirida do amor e do ciúme, mas que na verdade ela existe simplesmente pelo fato de sermos mulheres, pelo ódio, pelo controle exercido pelo patriarcado e pela certeza de que nossos corpos são territórios de posse. Na verdade, a culpa é do machismo estrutural que disfarça de homicídio os crimes misóginos.
Simone de Beauvoir já nos alertava que não se nasce mulher, torna-se, isto é, aprende -se a ser mulher dentro de um sistema patriarcal que impõe normas, papéis e silenciamentos. Muitas mulheres são brutalmente interrompidas não por não alcancarem esse "tornar-se ", mas por desafiarem ou não se ajustarem às expectativas que lhes são impostas.
Para uma mulher que chega aos 62 anos, num país que ocupa a quinta maior taxa de feminicídio do mundo, é atravessar um campo minado com passos insistentes. É ter sido menina afetiva e tímida, adolescente intensa e romântica, sem imaginar que ser mulher é ser subjugada, objetificada e coagida. É ter acreditado no amor, lutado em meio a um casamento abusivo e ainda ter se reinventado como mãe solo, leoa, colo, sustento e abrigo.
Minha história pessoal não está dissociada da história coletiva das mulheres. Como escreveu Bell hooks, o amor, para nós, nunca foi neutro, ele sempre precisou ser reaprendido fora da lógica da dominação.
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| Arquivo da autora |
E hoje eu celebro meu aniversário escrevendo com prazer, como mulher e como escritora, porque escrevo com o corpo que amou, viveu, perdeu e resistiu. Escrevo porque a palavra sempre foi minha ferramenta de sobrevivência. Audre Lorde dizia que transformar o silêncio em linguagem e ação é um ato de coragem. E eu escrevo para fazer barulho, porque sei que o silêncio mata e não apenas metaforicamente.
O feminicídio não é um desvio de conduta individual. É o ponto extremo de uma cultura que naturaliza a violência contra mulheres, que relativiza agressões, que pergunta “o que ela fez?” em vez de perguntar “por que ele matou?”. Djamila Ribeiro nos lembra que não existe neutralidade quando a estrutura é desigual. Celebrar minha vida hoje, aos 62, é também denunciar essa estrutura.
Minha existência é prova, minha maturidade é prova e minha escrita é o carimbo.
Cada ruga que carrego não é sinal de desgaste, mas de permanência, de permanecer viva, lúcida e criativa, escrevendo sobre o feminino num mundo que insiste em nos apagar.
Isso para mim é uma forma de insurgência.
Hoje não celebro apenas mais um ano de vida, celebro o direito de continuar, celebro as mulheres que vieram antes de mim e abriram caminhos, celebro as que caminham comigo. E como ser humano sinto os rasgos na minha pele com indignação e compromisso por todas as que não (se)ssentaram e sim ficaram com os corpos estendidos ao chão.
Que minha voz aos 62, ecoe como denúncia e manifesto. Porque enquanto uma mulher for morta por ser mulher, nenhuma de nós estará inteira. E ainda assim estamos aqui:
Escrevendo, vivendo e resistindo.
FEMINICÍDIO
Matam em casa todo dia uma mulher!
A voz sufocada
Pincelada de sangue
Reside nas paredes
Ecoa na sala o noticiário
Agredindo os tímpanos
Na surdez da lei
Tudo é corriqueiro
Mas a dor velada das Marias
Rasga a minha pele
E do meu verso perplexo
Arranco o silêncio
Enterrado no sexo
E eu grito na poesia :
Basta! O machismo já fede!
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terça-feira, 25 de novembro de 2025
Mulherio das Letras SP
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| Imagem Pinterest |
Por Meire Marion
M U L H E R I O D A S L E T R A S - SP
Em letras talhadas com força e luz,
Mulheres que escrevem, um mundo conduz.
Com canetas que dançam, o amor nos seduz,
E em cada verso, a coragem que reproduz.
Feminismo é melodia, é união a brilhar,
Mãe, filha, amiga, no mesmo caminhar.
Mulher que apoia, que se faz voz e chão,
Juntas arquitetando um futuro em união.
Nos versos da vida, vamos nos encontrar,
Em um oceano de histórias a navegar.
Toda letra é uma ponte, um elo por criar,
Mulheres das letras, venha nos inspirar!
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| Arquivo da autora |
Meire Marion
é professora de inglês, língua e literatura, escritora e poeta. É diretora da
UBE (União Brasileira de Escritores), responsável pelo Prêmio Cláudio Willer de
poesia. Têm sete livros para crianças publicados pela Editora Scortecci. É
colunista da Revista Voo Livre de literatura. Também participa de diversas antologias com poemas e
contos.
sexta-feira, 31 de outubro de 2025
QUEM SOU EU?, POR MEIRE MARION
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Bebê
Filha
Neta
Sobrinha
Prima
Irmã
Aluna
Amiga
Inimiga
Professora
Esposa
Cozinheira
Arrumadeira
Lavadeira
Amante
Cunhada
Nora
Tia
Ex-mulher
Puta
Madrinha
Escritora
Autora
Poeta
Diretora
Tia avó
Diretora
Entrevistada
Apresentadora
Organizadora
Palestrante
Tantos títulos que foram me
dados ao longo dos anos.
Quando retirados, um por um,
Quem sou de fato?
♡__________________◇_________________♤_________________♧__________________♡
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| Arquivo da autora |
terça-feira, 7 de outubro de 2025
O DOM DA BOCA, POR MEIRE MARION
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Bom para comer um prato
especialmente preparado,
beber aquele drinque festivo
no copo alto fino,
despejar tudo que não te faz
bem, reclamar com estilo,
fazer biquinho, caretas,
mostra raiva ou desprezo.
Bom para beijar, e beijar, e
beijar.
Bom para expressar ideias,
sentimentos, histórias e até mesmo protestos,
deixar entrar a nutrição e o
prazer,
sussurrar, deslizar, respirar
perto, e morder de leve,
saborear uma fruta fresca do
pé, um chocolate e um café,
expressar alegria, simpatia, e
conexão com outros.
Bom para viver intensamente,
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chorar,
calar,
gritar,
cantar,
declamar, falar besteira,
gemer,
e até tocar um instrumento de
sopro.
Se parar para pensar, a boca é
onde corpo, mente e emoção se encontram.
Ter boca é bom pra caramba!
quinta-feira, 12 de junho de 2025
CARTA A QUEM DESEJA MEU SILÊNCIO
Por Cíntia Colares (Flor de Lótus)
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E calei pelo medo e vergonha.
Na segunda vez que sofri violência, passei anos sofrendo um duro assédio moral e sexual num ambiente que deveria ser seguro. Apesar de ter sido aprovada num concurso para funcionária pública federal, morri um pouco a cada dia enquanto tentava sobreviver para garantir o sustento do meu filho.
Não calei, mas paguei caro por ousar denunciar velhas práticas e por não ceder ao assédio. Na terceira vez que sofri violência foi onde buscava construir outro mundo possível. Quando busquei voz e poder de decisão como os demais, ouvi que deveria me pôr no meu lugar.
O meu lugar e o de todos nós: pessoas negras, mulheres, indígenas é onde a gente quiser e reivindicar. É onde a vida acontece e está sendo decidida.
Nada mais sobre nós sem nós.
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De minha parte, muitos gritos mais ainda serão ouvidos até que me escutem e me vejam estar presente nos espaços e nas decisões.
E nunca mais calarei.
Porque minhas dores gritam em mim até no silêncio. No olhar que fere, na boca que nos enxota.
Não estarei olhando do lado de fora e não estarei em silêncio do lado de dentro, fazendo apenas figuração para aliviar suas consciências.”
♡__________________◇_________________♤_________________♧__________________♡
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Obrigada por ler até aqui “Sou Flor de Lótus🪷
segunda-feira, 9 de junho de 2025
ÀS VEZES AGENDO MEU CHORO
Por Cíntia Colares
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Lembrei o quanto essa letra sempre me toca.
Me veio a lembrança de quantas vezes quis chorar, mas…
Agora não…
estou na rua…
Agora não…
…não vou chorar na frente dessa pessoa…
(ainda que a pessoa esteja me dando todos os motivos para chorar)
Agora não…
deixa não ter ninguém por perto…
Agora não...
não adianta chorar escondido…vai voltar com os olhos vermelhos…vão perceber…não fica bem…
Agora não…
Preciso buscar meu filho, preciso transmitir alegria quando nos reencontrarmos depois de passarmos o dia inteiro longe…
Agora não…
o ônibus tá lotado…alguém vai ver…
Agora não…
deixa chegar em casa…
Agora não…
deixa atender meu filho primeiro…
Agora não….
Espera meu filho não estar por perto…
Agora não…
Tomara que você durma logo, filho…
Agora não…
preciso tanto chorar, mas na tua frente não….
Agora não…
eu precisava tanto chorar hoje…está entalado…
Agora não…
Um novo dia vai começar.
Preciso me levantar e não dá mais tempo pra chorar.
Os dias correm assim.
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Porque antes de pensar em mim, eu preciso dar conta, resolver, prevenir, ensinar, acolher, tratar, corrigir, aguentar, quebrar as molduras que insistem em tentar me enquadrar e preciso, principalmente, manter viva a crença de que valerá a pena lutar por mudanças, que é para eu não andar por aí morta em vida.
No meio desse turbilhão cotidiano, até eu conseguir algum tempo pra mim, o choro já empedrou por dentro e me endureceu também por fora.
♡__________________◇_________________♤_________________♧__________________♡
Sou Cíntia Colares, sou Flor de Lótus 🪷
segunda-feira, 2 de junho de 2025
"ESCAPA PELOS DEDOS COMO AREIA", POR MEIRE MARION
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PALAVRA FRACA
Coração se
divide em dois
Duas partes
que eram uma
Através de
uma carta gelada e sem vida
Tudo o que
compartilhamos foi desfeito.
A tristeza
me atinge intensamente
Duro como
uma pedra pesada
Amor não é
uma palavra forte o suficiente.
Agora, quem
vai me dar um ombro?
Tentando
compreender onde tudo deu errado
Escapa pelos
meus dedos como areia
Enquanto as
chamas em meu coração queimam, queimam, queimam
O rádio toca
uma música da nossa banda favorita
Lágrimas
encharcaram meu travesseiro enquanto tentei dormir
Dormi
profundamente no abismo tão profundo.
Um lembrete
de como ações são mais fortes que palavras.
♡__________________◇_________________♤_________________♧__________________♡
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| Arquivo da autora |
Meire Marion é
professora de inglês, língua e literatura, escritora e poeta. É diretora da UBE
(União Brasileira de Escritores), responsável pelo Prêmio Cláudio Willer de
poesia. Têm sete livros para crianças publicados pela Editora Scortecci. É
colunista da Revista Voo Livre de literatura. Também participa de diversas
antologias com poemas e contos.
terça-feira, 13 de maio de 2025
PARA SE DIZER ANTIRRACISTA É PRECISO AGIR***, POR CÍNTIA COLARES
Por Cíntia Colares
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Quando explicamos que essas não são datas ou mês lúdicos e sim de luta e reflexões, ainda somos taxadas de 'desmancha prazeres': "custava sorrir e agradecer?" Nessa pergunta, faltou nos dizer: e silenciar... e manter tudo como está. Pois não silencio. Falo cotidianamente contra essas estruturas que tentam nos oprimir e manter os privilégios do patriarcado e da branquitude em dia.
De março a março são negadas oportunidades a mulheres negras porque ainda esperam que a gente ocupe apenas posições de subserviência. Em outras palavras, nos tratam como se não pudéssemos desempenhar funções intelectuais ou de liderança e tivéssemos um perfil engessado para somente servir.
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Sabe, relatos de situações de racismo me surpreendem. Mesmo eu sendo uma mulher negra, ou seja, vivenciando situações de racismo desde criança, ainda assim as falas de outras pessoas negras e a maneira como alguns autores descrevem a engrenagem de como o racismo e o pacto da branquitude acontecem no cotidiano me surpreendem.
Sabe porque me surpreendem?
Porque fico me interrogando: como essas situações ainda se reproduzem?
Como não foi visto ainda que é preciso agir para combater situações tão desumanizantes?
Como algumas pessoas passam a vida toda sem se dar conta de uma desigualdade tão gritante como se fosse normal nos verem majoritariamente em situações de subserviência no mercado de trabalho, por exemplo, uma situação que todos vivenciam e não tem como não ver a desigualdade de posições.
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A nós, pessoas negras, eram negadas oportunidades e voz nos espaços de decisão, mas e as pessoas brancas que sempre tiveram acesso aos melhores estudos, livros, debates sobre a sociedade e ainda assim não pensaram sobre isso e não agiram contra uma vida inteira?
A mim sempre espanta. Desde sempre não consigo ver a desumanização de alguém e ficar impávida. E assim criei meu filho para sempre pensar em que mundo vive, com quem convive em sociedade e como estão sendo tratadas as pessoas nessa sociedade.
Ter esse olhar que humaniza já teria despertado ações antirracistas há décadas, séculos, mas há pessoas que passam a vida sem nos ver. Somos desumanizados desde que jogaram nossos antepassados aqui.
O racismo nunca deixou de existir, apenas se adaptou a cada época. Então cada vez que ouço um relato de racismo me surpreende que as pessoas brancas ainda tenham a coragem de praticar tantas desumanidades.
É por conta desse olhar, que nos desumaniza, que a gente ainda passa por situações de racismo, nossos filhos passarão, nossos pais passaram e nossos netos ainda sentirão essas dores.
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Hoje não é na senzala que nos prendem, mas basta ler o Pacto da Branquitude de Cida Bento e outras tantas obras que analisam a sociedade em que vivemos para saber onde ainda nos prendem e de que forma ainda açoitam nossa pele.
Essa situação não começou agora e nem de uns tempos pra cá. Situações de racismo são vivenciadas de maneira escancarada desde sempre. E no entanto, às vezes, leva uma vida para as pessoas brancas pararem para pensar o que acontece conosco há séculos e o que podem fazer para combater?
Por isso o slogan “Vidas Negras Importam”. Não quer dizer que outras vidas não importam. É uma afirmação que tenta construir a narrativa de que nossas vidas importam, porque cotidianamente a branquitude nos diz que não importamos. É como se o que fazem conosco não estivesse sendo feito com seres humanos.
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Quando nos dizem que não tinham pensado antes em tudo isso que a gente passa durante a vida toda, às vezes, a sensação que dá é que a gente não existia para essas pessoas. Por isso, eu sempre me surpreendo com as falas. Me surpreendo, me indigno e me pergunto: como as pessoas brancas "não viram" o racismo antes e que era urgente agir? O racismo não começou a existir de uns tempos para cá. Essa urgência não é de hoje. Quando cada um de nós que está lendo essa reflexão agora nasceu, essa urgência já existia.
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***Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do blog Feminário Conexões.
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"Escrevo para buscar me aquilombar com mãos e vozes para desconstruir o que está posto na sociedade em que vivemos e construir o que precisamos para termos direito a oportunidade de viver com dignidade e não apenas sobreviver."
sexta-feira, 9 de maio de 2025
ENTRE LINHAS E CORDAS, LIVRO DE VALÉRIA PISAURO
UM CORAÇÃO EM SOL MAIOR (Por Marta Cortezão)
Palavra cantada é palavra voando.
{James Joyce}
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“Meu canto é poema, é seca, é fome
Estancado nos olhos dos homens, dos
homens!” (Bate Tambor, p. 40)
“Não risca o risco da hipocrisia.
No meio da praça, no inteiro da
raça,
Nas ruas, nos guetos, nas chacinas,
Marginais no anonimato dos
jornais.” (Cruz, p. 59)
“E nos fios, corais de pássaros
Regem a aresta do cotidiano
Sonhos em Sol Maior
O silêncio é outro engano.” (Aresta,
p. 108)
“Quero o teu beijo cifrado (...)
Amor bemol e sustenido,
Com o arco e o violino,
Com todos talvez e então...
Acorde sonante,
Que afina minha canção.” (Afinação,
p. 116)
“No banco do jardim público
Raiz de pedra
Há na luz uma cor amarga
De quem vive às margens
Entre escombros da cegueira
Sob os pés de quem passa.” (Jardim, p. 149)
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“De Macunaíma sou cria,
Antropofagia, Abaporu,
Bicho-do-mato, tupiniquim,
Grão da massa, Jeca Tatu.
Dom Quixote brasileiro,
Poeta louco, botequim.
(...)
Não ouvi o cantar do sabiá.
As pedras do meu caminho,
Deixei pela estrada, aprendi
apreciar,
Deixei tudo a Deus dará, oxalá!”.
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“No espelho da lua cheia,
Penitentes castas arqueiras,
Desciam de Iaci-Taperê,
Com mil flechas certeiras.
Purificação a noite inteira,
Que do ventre da terra sorri,
São amazonas guerreiras,
Cantos de carícias plenas,
Da guerreira nação Tupi.
São amazonas guerreiras,
Cantos de carícias plenas,
Da guerreira nação Tupi.”
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“Na esteira das grandes cheias
Ribeirinhas bailarinas cativeiras
Pele vermelha, mulher-sereia
A cantarolar nas beiras dos rios.
Filhas de velhas benzedeiras
Olha o azul sonha com o mar
Correnteza de oferendas
Nas águas de todo lugar.” (Rede
de Rezas, p. 56)
“Dentro de mim liberdade
Tarsilas, Severinas, Marias
Cativas, sagradas e profanas (...)
Múltiplas que choram e riem
Ramos cortados que insistem em
florir.” (Múltiplas, p. 77)
“Ela é mulher, é quem ela quer,
Ela dança com as ninfas,
Já teve família, sonhou menina,
Hoje, Maria de todos os dias,
Dos solitários, a companheira,
Dos abandonados, a alegria.
É novela e favela, é fantasia.
Na calçada é plateia, dama, meretriz,” (Quem Ela
Quer, p. 87)
“Giram saias rendadas
No terreiro, na senzala
Lendas e causos em Iorubá
Sonhos antigos afogados” (África Distante, p. 198)
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Feminário Conexões, o blog que conecta você!
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