AVE, CRÔNICA|07
POR MARTA CORTEZÃO
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POR MARTA CORTEZÃO
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Rosangela Marquezi
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Minha mãe... Que ainda brinca! Fonte: Arquivo pessoal (autoria de Carina Pelegrini) |
1. Ouça “Vilarejo”, na voz de Marisa Monte. É uma canção linda que nos remete a um local que para cada um pode ser diferente... Qual o seu vilarejo?? Qual o seu lugar de recordação? A letra, de 2006, é de Marisa Monte, Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes e Pedro Baby (filho de Baby Consuelo e Pepeu Gomes).
“Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão”
2. Assista ao filme “O lado bom da vida” (2012), dirigido por David. O. Russel e estrelado por Jennifer Lawrence e Bradley Cooper. Lawrence, por sua atuação neste filme, recebeu o Oscar de Melhor Atriz. É baseado no livro homônimo do escritor norte-americano Matthew Quick. A história envolve duas personagens com problemas emocionais/psicológicos que decidem, juntos, lutar e aprender mais sobre como lidar com seus problemas. É uma história boa, que nos mostra que, como diz o personagem de Cooper, o Pat: “Quando as coisas são difíceis, você tem que tentar ver o lado bom da vida”.
3. Leia o clássico da literatura infantojuvenil, “Pollyanna”, da escritora norte-americana Eleanor H. Porter. O livro conta a história de uma pequena órfã, Pollyanna, que vai morar com uma tia após a morte dos pais. Com o Jogo do Contente, que aprendeu com seu pai quando esperava ganhar uma boneca e acabou recebendo um par de muletinhas (eram doações que vinham à igreja onde o pai era missionário). Ele lhe ensinou a “ressignificar” o presente, pois a fez ver que poderia ficar contente por não precisar usar as muletas. Desse dia em diante, Pollyanna ressignifica todas as situações ruins que vão lhe acontecendo, vendo-as sob outros olhares. O livro foi escrito em 1913 e se tornou um clássico. Em 1915, a autora escreveu a continuação: Pollyanna Mulher.
“A menina sorriu.
– Pois é do jogo, não sabe?
– Do jogo? Que jogo?
– O “Jogo do contente”, não conhece?
[...]
– Oh, o jogo é encontrar em tudo qualquer coisa para ficar alegre, seja lá o que for, explicou Pollyanna com toda a seriedade” (Porter, 1978, p. 30-31).
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O
Diploma do Magistério era privilégio de poucos, quase que exclusividade de
jovens oriundos de famílias abastadas que possuíam condições de bancá-los e
historicamente era uma profissão tradicionalmente exercida por mulheres que
eram conhecidas, reconhecidas e tratadas com reverência como 'Prof.ª'... com um
indescritível orgulho.
No
dia da formatura, a colação de grau, era o auge! O momento-chave da
comemoração, do recebimento do tradicional canudo, simbolizando o Diploma que
posteriormente seria entregue, era o "Evento"! Vestidos deslumbrantes que
imitavam vestidos de noiva, selavam o tão esperado momento, com direito
inclusive a dançar a valsa com o pai ou o padrinho do formando que a partir
daquele momento seria Professor(a), exerceria o Magistério.
A
desvalorização salarial também sempre foi um grande entrave para os
profissionais do Magistério. É "cultural" prover financeiramente com um salário
mais digno, profissionais de outras áreas, a exemplo da medicina, da engenharia, deixando os profissionais que possuem a
responsabilidade de formar todas as demais profissões com um salário
incompatível com o trabalho que exercem na classe e extra-classe, não os
reconhecendo como aqueles que carregam a responsabilidade de formar todos os
profissionais das demais profissões.
Diante de todas estas questões, nós, profissionais da educação, mais conhecidos como professores, refletimos e lembramos com saudades dos bons tempos em que o exercício do Magistério era valorizado a nível pessoal, profissional e social; em que o ambiente escolar era tido como um espaço prioritário de aprendizagem e da prática do respeito e de outros valores humanos e em que a desestrutura familiar e social ocorria numa intensidade bem menor. Fica uma reflexão para os que atuam no Magistério há mais tempo ou na contemporaneidade: O tão sonhado Diploma de uma tão sonhada profissão transformou-se em pesadelo? As aulas on-line no período da pandemia foram um "estágio" para que num futuro bem próximo docentes e discentes se encontrem apenas virtualmente e a sala onde acontecia a dinâmica do ensinar e do aprender, presencialmente, feche suas portas?
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*Fonte das ilustrações do texto: Pinterest.
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O negócio é que sou espírito selvagem, livre, daqueles que não suportam a ideia de serem “domesticados”. Mas, às vezes, temos que fazer escolhas, escolhas de alma; o imponderável se mostra e vão-se as obras de arte e anéis, ficam os filhos, os gatos e a paz! Mas dá trabalho, minha irmã… uma vida inteira tendo que correr com os lobos. Penso nisso, constantemente, talvez a idade tenha me trazido questões encaixotadas, tipo “Cold Case”, sabe? Sentimentos terríveis de arrependimentos e escolhas irreversíveis. “E se…” É muito cruel!
Nesse (corajoso) mergulho íntimo às águas escuras do meu passado revejo as possibilidades de outros caminhos… e logo percebo, quase tendo uma epifania, que só me restava, em tais circunstâncias, decidir pela coerência ao que penso e sou. Banquei, e isso me trouxe até aqui.
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Como no poema “savoir vivre” de Myriam Scotti em seu novo livro. A narradora encontra na lucidez (autoconsciência) e na ironia fina, uma forma de impor limites aos impulsos recônditos de dominação e controle de outrem, sob pena de ser riscado, limado de seu “moleskine vintage”…poeticamente!
Este foi o poema que, atendendo ao meu pedido, Myriam leu no lançamento de “Receita para explodir bolos”, seu novo livro de poesia lançado em Manaus e na Flip deste ano. Fiquem com ele:
savoir vivre
quando me chamaste para uma conversa
compareci (pontualmente) para o término
“cansei de ti, és correta demais
com tudo sempre anotadinho
provavelmente nos amamos ontem às oito
conforme mandava tua agenda”
depois disso, partiste…
tirei da bolsa o moleskine vintage
para te riscar como compromisso
não estavas pronto para o meu savoir vivre.
(Myriam Scotti/ in- “ Receita para explodir bolos” -2023)
Tenho certeza que a literatura feita por mulheres, seja prosa, poesia ou pesquisa, ainda ocupará o espaço que tem por direito ocupar; a luta vai ser, como sempre, desigual, mas é nossa! E como disse Maya Angelou: "Sou feminista. Já sou mulher há algum tempo. Seria estúpido não estar do meu próprio lado."
Rita Alencar e Silva
Crônica
Era uma segunda-feira, dessas do tal calorão de 39° que quase fritava meus miolos e fritava também ovo no asfalto, dessas em que o dia branco, na verdade foi cinza; Do bombril impregnado nas unhas, pó de casa varrida no pé e massa cinzenta pensando debaixo do chuveiro: Tenho que fazer isso, depois isso, amanhã aquilo... E eternamente isso!
Exausta, depois de me virar nos 30, marido já dormindo, ponho um cafezinho na xícara, destravo o celular para escrever alguma coisa, embora com o corpo pedindo arrego, a mente ainda escrevive! Passeio pelo Instagram e vejo, enfeitando o feed viralizado, o tema da redação do Enem 2023: “Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil”.
Mas o comentário que me desafiou a escrever essa crônica foi lançado para mim em um post recente, quando ainda nem tinha ideia do tema da redação e já abordava exatamente sobre a invisibilidade do papel da mulher desde os tempos mais remotos até os dias atuais, que é cuidar, amar, cuidar... E no profícuo ofício de cuidar, mendigar amor! E o famigerado machista, agora já deletado do meu perfil e denunciado, de pronto comentou: “Se você conseguir descarregar caminhão, trocar pneu de jamanta e emboçar parede, pra senhorita eu dou “A taça cacete", (me diz aí quem não soltaria as cachorras??).
Saiba muito bem, pai da Santa ignorância e do olho cego, que se tivesse olimpíadas para o trabalho doméstico, não haveria taças para tantas vencedoras! Dada a largada, a categoria “Excesso de cuidados" subiria ao pódio ao som de uma “Ave Maria", pois, no silêncio rotineiro da mulher, o cuidado doméstico soa como uma música piedosa que é (in)visível, embalando as protagonistas nos bastidores do cotidiano.
Na sociedade capitalista, a relação de poder do homem em detrimento da mulher, ouço dizer que se “dá(va) “?? pelo fato do homem ser responsável pela renda familiar, mas o mercado de trabalho foi aberto para as mulheres e a conta ainda não fechou, pois agora é dobradinha:
“Trabalho e cuidados".
A verdade é que, em pleno século XXI, a mulher ainda é o “anjo do lar”, e que anjo!! Carrega nas asas o peso do trabalho dobrado, dentro e fora de casa, no sonho de alçar voo rumo à igualdade de gênero e à equidade.
“Desde que me lembro de ser gente, lá em casa, quem dobrava os lençóis da cama era eu, minhas irmãs ou mamãe", porque isso era serviço de mulher! Isso tem mais de meio século e os lençóis ainda não chegaram nas mãos dos homens, pois eles não sabem dobrar as pontas iguais, afinal, de igualdade o universo masculino nada quer saber, né? E se sabe, ainda pergunta onde fica.
Lembro que minha avó costurava, fazia crochê, consertava guarda-chuvas, fazia a comida, varria a casa, passava a roupa no ferro de brasa, e fazia e fazia, e ainda ajudava meu avô a plantar e colher, botava a comida dele na mesa e, no final do dia, ele pedia o lençol para dormir, pois não sabia onde estava... Será que lembrava de agradecer?. Fala sério, mudou alguma coisa? Um tantinho? Nada? Coisa nenhuma?
Conquistamos sim, quebramos alguns tabus e estereótipos, como o direito ao voto e ao trabalho desigualmente remunerado, mas há um trabalho (cuidado) eterno que continua invisível, o status quo “gestão do lar”, sempre na manutenção das condições observadas.... Casa varrida, roupa lavada, fralda trocada, mamadeira pronta, comida no prato, cama arrumada... Na verdade é uma verdadeira “Largada doméstica” apenas com ponto de partida.
E aqui eu deixo um poema de minha autoria para que possamos refletir sobre nossa saúde mental, sobre o excesso de cuidados para com o outro e das situações estressantes às quais nós mulheres estamos mais propensas e sem reconhecimentos.
LARGADA DOMÉSTICA
Lambeu o chão,
esticou a língua
ao sal
e correu para a panela,
como sempre correu contra o
tempo.
Cozinhou os sonhos,
o prazer,
a vida.
- Do menu servido
no prato cotidiano -
a carne parida,
o amor ofertado,
e o reconhecimento
ao molho.
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MOSAICO DE IDEIAS - SEMEANDO PALAVRAS E COLHENDO BORBOLETAS
I N D I G E S T Ã O (CRÔNICA)
POR SANDRA SA'NTOS
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Sim,
em 2023 acontece mais uma guerra absurda, se é que algum dia, houve de fato,
uma razão lógica para qualquer que tenha sido o conflito. Do outro lado do
mundo, tantas pessoas separadas de mim pelo conceito abstrato dos fusos horários,
nem sabem se terão o que comer. Não
termino de colocar a comida na boca, pois em meus ouvidos ecoa o som de mais um
míssil, ou de incontáveis projéteis em um novo confronto. Só de imaginar a
cena, emudeço e o estômago trava.
Cada grão de feijão ganha o nome de uma pessoa abatida em nome de uma causa, e isso me enoja. O choro das crianças inunda minhas noites. Mesmo assim durmo... Ainda bem que meus pais não estão aqui para ver isso. Mais culpa.
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Não
sou suficientemente sábia para explanar sobre “motivos”. Sou uma ignorante
movida por um pensamento simplista em que a vida é um presente, e assim, precisa
ser sorvida com delicadeza e gratidão. Para mim, nada justifica a barbárie e
eu, no auge dos meus sessenta e um anos, não consigo entender, muito menos aceitar
o que os move. Nem de um lado, nem do outro. Como posso engolir meu feijão se pais,
mães, avôs, avós e crianças, provavelmente vão engolir terra? Mastigo a
derradeira garfada.
Minha despensa está cheia, enquanto pessoas em bunkers, não possuem perspectiva alguma. Mais cedo fui ao mercado e vasculhei as prateleiras, em busca de cupom de desconto para quem tem um cadastro. Já me pequei comprando coisas das quais não precisava, só pra aproveitar a oferta. Novamente esbarro na culpa, e encaro no espelho a impotência por não ser nada além de mim mesma. Espero que a guerra acabe antes do natal.
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Procuro
um motivo que faça algum sentido para dar início a uma guerra e não encontro. As
empresas armamentistas as financiam, e a mídia se alimenta delas... Talvez seja
isso. Cresci, em meio a conflitos de toda natureza: Vietnã, Afeganistão,
Golfo, guerra fria. Uma vez vi uma foto de uma criança nua, correndo em prantos.
Me falaram que era vietnamita. Nunca me esqueci o choque ao perceber que
crianças podiam passar por algo semelhante. O ano era 1972, eu e ela tínhamos idades
próximas, então, o que a fazia tão diferente de mim? Apavorada, fechei a revista.
Do
alto da minha ingenuidade, pensei: bom que no Brasil não temos guerra. - Doce
ilusão, temos sim, uma silenciosa. Atualmente, nem tanto. Naquele tempo se
ouvia à boca miúda, sobre pessoas que sumiam sem deixar qualquer rastro, ouvia-se sobre
a tortura e sobre a censura. Essa última, forte e onipresente com poderes para
fazer uma palavra morrer na garganta, antes de ser proferida. Só a ela era dado
o direito de decidir sobre a pertinência ou a periculosidade das palavras, das
músicas, e das reportagens. Mas, artistas e jornalistas, (nem todos), constituíram
a resistência, e espalharam por meio de metáforas a ideia de que calar-se, não era
uma opção. Eu os amo por isso.
O
tempo passou e a censura mostrou-se sábia. Parou de proibir palavras, e soube
esperar pacientemente. - Deixe que falem bobagens, incentivem a baderna. Não há
a menor necessidade de calá-los. - Infelizmente, deu certo. Surgiu um arsenal
de ideias caóticas revestidas de contemporaneidade. Um sem número de subcelebridades
que perdeu o nariz, a barriga e a vergonha em alguma cirurgia plástica. Um mar
de futilidade se instalou de tal forma que o pensamento crítico se escondeu em
alguma toca. Hoje palavras fúteis jorram
de bocas cada dia mais desfiguradas, (quanto mais grossas e carnudas melhor). E
eu, culpada por não aguentar assistir TV?
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Para
além dessa burrice crônica, facções crescem e se organizam, a Cracolândia povoa
a cidade e prolifera seus zumbis, (pobres coitados que já perderam sua guerra
pessoal). Acredito que em cada guerra, seja ela solitária ou não, existem dois
lados, e de cada lado uma versão. A verdade, talvez, não more em nenhum deles.
Para
a minha criança interior, digo: sim, a menina vietnamita poderia ter sido sua amiguinha.
Por ela, até hoje perco o sono, e a fome. Como permitimos que crianças passem
por tanto medo e por tanta dor?
Sem
resposta, afago a criança que fui.
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MEMÓRIAS DE SÃO JOÃO DE OUTRORA
O Nordeste do Brasil é referência na celebração dos festejos juninos. Embora tenha sido trazida pelos portugueses, a tradicional festa de São João é uma das maiores expressões da cultura popular brasileira, sendo comemorada nas comunidades rurais e urbanas com grande intensidade, congregando pessoas de todas as classes sociais. Entretanto, a forma desta celebração tem sofrido significativas mudanças, adaptando-se aos padrões culturais da modernidade.
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As minhas memórias da infância trazem à tona inesquecíveis lembranças de um período do ano marcado por cores, sabores, música, dança e alegria, o tão esperado mês de junho! O frio e a chuva típicos da época, anunciavam os festejos da tradicional e tão aguardada festa de SÃO JOÃO. E quando o mês de junho se aproximava, o povo comentava: “São João tá na porta!” Era grande a expectativa para a festa de São João! E o tão esperado 23 de junho, véspera de São João, finalmente chegava! A fogueira era o grande símbolo deste grande dia, sendo religiosamente armada em frente às casas, tendo ao seu lado um ramo erguido, um galho de árvore, ornamentado com bandeirolas, laranjas e espigas de milho. As ruas e as casas eram enfeitadas com bandeirolas de papel de seda. As meninas usavam vestidos de chita, cabelos penteados com duas tranças com laços de fita e nas maçãs do rosto pontinhos feitos com lápis preto. Os meninos usavam camisa de chita e chapéu de palha. Tudo e todos caracterizados aguardando o entardecer (boca da noite) para acender a fogueira, em suas brasas assar o milho e visitar as casas dos vizinhos onde sempre eram servidas as comidas e bebidas típicas: canjica, amendoim, milho cozido, laranja, licôr, pipoca. Após assistirem a fogueira queimar, era costume as pessoas saírem de casa em casa, visitando vizinhos, parentes e amigos, onde todos comiam, bebiam e arrastavam o pé ao som da sanfona ou da radiola que tocava o animado forró. E neste ritmo, amanheciam o dia! Reza a lenda que nesta noite não se dormia. No dia seguinte, o dia de São João, a comemoração prosseguia: juntava-se o que sobrava da fogueira e nela colocava-se fogo novamente. Ao seu redor, as famílias e vizinhos se reuniam para assar o milho e prosear. Era a festa mais linda do ano! O calor da fogueira aquecia o frio, as chamas da fogueira iluminavam as ruas, as bandeirolas tremulavam atraindo os olhares com suas cores vibrantes, as pessoas partilhavam conversas e repartiam com prazer as comidas e bebidas típicas.
Atualmente, os costumes que davam
vida ao tradicional São João foram substituídos pelos hábitos da modernidade,
restando apenas lembranças e saudades de uma festa genuinamente popular,
comemorada com simplicidade, sem ostentação, onde o que prevalecia era a
confraternização e a diversão! Na contemporaneidade, a literatura vem resgatar
a vivência destes festejos para que sejam conhecidos pela posteridade.
FESTA BOA
Maio finalizava,
O povo já anunciava:
São João tá na porta!
Á meia noite do último dia de maio:
Fogos anunciavam o tão aguardado mês festivo.
Dava-se início aos preparativos:
Lenha para a fogueira armar,
Bandeirolas para casas e terreiros enfeitar,
Roupa nova para ir forrozear.
Forró pé de serra, era o estilo musical a predominar!
Tinha arrasta-pé aqui e acolá.
O destino do povão era o Arraiá!
Não faltavam o milho, a canjica, o amendoim e o licôr.
Todos forrozeavam: criança, adulto, vovó e vovô!
O braseiro da fogueira assava o milho a todo vapor.
Êta tempo bom, Sô!
Maria do Carmo Silva
Poeta, professora e escritora.
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A DROGA DA VIOLÊNCIA E O MACHISMO Por Margarida Montejano Imagem Pinterest Quando eu e minha irmã éramos crianças, morávamos com nossos p...