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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

A POESIA DAS PEQUENAS COISAS - A OBRA POÉTICA DE ASTRID CABRAL

Astrid Cabral: “exímia inventora de tesouros, a explorar os preciosos filões dos sentimentos”

Palestra de Rita Alencar Clark sobre a escritora amazonense homenageada na Feira do SESC 2025, Astrid Cabral. A Feira teve curadoria de Leyla Leong. A palestra aconteceu no dia 30 de outubro de 2025, às 15:00h, no Centro de Convenções Vasco Vasques (Manaus/AM).

Astrid Cabral

1. Como se faz um bom poema, Astrid?

Quando aceitei o convite de Leyla Leong para falar de Astrid Cabral, da sua poesia diária, a Poética das Pequenas Coisas, grandes ou delicadas, que nos deparamos pela vida, de certo que aceitei e quero, antes de tudo, agradecer-lhe a honra de estar aqui.

E de tanto pensar no que escreveria, vieram-me lembranças intensas de nossa convivência familiar no Rio de Janeiro, onde todos morávamos. Astrid nunca faltou, não sem avisar, a um aniversário do meu pai, seu companheiro de poesia e Clube da Madrugada, Alencar e Silva, para ela, o Neto. Naqueles dias, fomos convidados para o almoço de aniversário de Astrid, em seu apartamento no Parque Guinle. Meu pai já acordara ansioso e assobiando, sempre temendo inevitáveis atrasos. “Nair… compraste o presente da Astrid?  Sim, Neto”. E foi pra esse lugar que minhas memórias me levaram.

Como em toda casa de amazonenses, fomos recebidos por Astrid e doutor Afonso com abundância de delicadezas, incluindo-se o, sempre farto, menu amazônico. Mamãe e Astrid, antes do almoço, trocavam informações e urgências, fossem novidades fresquinhas de Manaus, fossem receitas fantásticas, agruras da maternidade desejada e a realidade de serem mulheres e trabalharem fora… não se tinha uma brecha no diálogo. E eu, com um caderninho na mão, de tocaia para fazer uma intervenção, quando ela falou: “Ritinha, senta aqui do meu lado”. Como caloura do curso de Letras na Santa Úrsula, não podia perder a oportunidade de entrevistar Astrid Cabral. Ela pegou na minha mão e perguntou: o que queres saber? “Como se faz um bom poema?” Rimos as duas em cumplicidade, ela respondeu, ainda sorrindo, que “primeiro tens que dominar a gramática, qual usas?”  Cunha, Luft e Cegalla, respondi. “Pois, lute com eles! Depois, comece a dominar a arte de cortar... os primeiros serão os artigos, depois preposições e interjeições, por último os adjetivos. O que sobrar é o esboço do poema. E, então, começas o trabalho de lapidação”. Que maravilha de resposta, nunca pude esquecer e até hoje impacta no meu processo criativo. Astrid, para mim, é a tia escolhida, por saber da grande amizade, respeito e admiração de meu pai por ela, pela grande poeta que é. Após o almoço todos iam para o living e, entre licores e cafés, a tarde se estendia, era só poesia. 

Arquivo da autora

2. Os versos, essas aves das ideias

Segundo Alencar e Silva, em artigo sobre Astrid  (Quadros da Moderna Poesia Amazonense  Valer, 2011): “Astrid Cabral Félix de Sousa nasceu em Manaus, a 25.9.1936, onde integrou o movimento renovador Clube da Madrugada, desde as primeiras horas, transferindo-se ainda adolescente para o Rio de Janeiro, onde diplomou-se em Letras Neolatinas, na atual UFRJ e lecionou Línguas e Literatura na Universidade de Brasília, saindo em 1965, em consequência do golpe militar.

Ingressou posteriormente no Itamaraty, onde serviu como Oficial de Chancelaria em Brasília, Beirute, Rio de Janeiro e Chicago. Casada com o poeta Affonso Felix de Sousa, é mãe de cinco filhos: Raul, Alfredo, Giles (já falecido), Isabela e Mariana. Detentora de importantes prêmios, participa de numerosas antologias no Brasil e no exterior (...) Sua obra poética já se estende por mais de dez títulos, entre os quais se contam: Alameda, 1963 (ficção); Ponto de Cruz, 1979 (poesia); Torna Viagem, 1981 (poesia); Zé Pirulito, 1983 (estória infantil); Visgo da Terra, 1986 (poesia); Lição de Alice, 1986 (poesia); Rês Desgarrada, 1994 (poesia); De déu em déu, 1998 (poesia reunida); Intramuros, 1998 (poesia); Rasos d’Água, 2003 (poesia); Jaula, 2006; Antessala, 2007; 50 poemas escolhidos pelo autor, 2008; Palavra na berlinda, 2011; Infância em franjas, 2014; Sobre escritos: Rastros de leitura (Crítica literária ensaios de Astrid Cabral  Org. Helena Ortiz, 2015). É detentora dos seguintes prêmios: José Décio Filho, da UBE-GO, 1981; Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, 1987; Casa do Escritor, São Paulo, 1987; Cine-vídeo de Porto Alegre/Lei Sarney, 1987; e Jorge Fernandes, da UBE-RJ, 1996, entre outros."

Vejamos um poema de Alencar e Silva para Astrid, no primeiro livro do autor, Painéis, 1952:

À Astrid Cabral

Tens na voz algum ninho, um ninho de ouro,

que lembra, numa chuva de açucenas,

as manhãs claras, musicais, serenas,

de um celeste e rosado logradouro


E ouvir-lhe os sons, ouvir esse tesouro

de harmonias de mágicas avenas, 

é dar asas à alma e ver-se apenas

voando à claridade de um céu louro.


Pois, quando surges, luz e canto, em cena,

voando de tua garganta de açucena,

os versos, essas aves das ideias,


como que aroma e música espalhando,

as almas todas vais sonorizando

e arrebatando as lívidas plateias.”

Alencar continua em sua resenha crítica: “Um dia, quando ia em pleno andamento a segunda caravana que empreendêramos, pelo sul do país, com Jorge Tufic, Antísthenes Pinto e Guimarães de Paula (...) estivemos em visita de cortesia à nossa conterrânea, que se encontrava hospedada num pensionato para estudantes, na Rua da Glória, no Rio de Janeiro, cidade onde ela se diplomaria em Letras Neolatinas, pela Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil, atual UFRJ.” Apesar da distância entre Manaus e Rio de Janeiro, além de todas as dificuldades de deslocamento, pois estamos falando dos anos de 1953/1954, o posto de musa no Clube da Madrugada sempre foi cultivado e respeitado por seus companheiros de poesia, como nos relata aqui Alencar e Silva: “Desde a adolescência, Astrid Cabral tem tido destacada participação na vida cultural de Manaus, quer atuando em grêmios literários, como a SAEL (Sociedade Amazonense de Estudos Literários, que ela ajudou a fundar e levou a funcionar em uma sala do Instituto de Educação, cedida por sua diretora, e avó, Dona Eunice Serrano Telles de Souza), quer em publicações de vanguarda, como o jornal “Nossos Dias”, de Francisco Vasconcellos e João Bosco Evangelista, onde apareceriam os seus primeiros poemas. E o autor de Lunamarga continua: “Além do toque de qualidade que a distingue, o que sobreleva na obra de Astrid Cabral (...) é, sem dúvida, a consciência profissional em que se espelha o seu saber-fazer poético.” (...) “atesta, efetivamente, a presença de uma poderosa força criadora, que se exerce, com total domínio, sobre a palavra emprestando-lhe à linguagem aquela ressonância, a um tempo próxima e distante, aparentemente estranha e aparentemente familiar, das coisas eternas. (...) “Visgo da Terra” obra em que celebra a memória dos seres e coisas que povoaram a paisagem do que fora Manaus da sua adolescência  aquele, entre os seus livros, em que melhor podemos observar uma das faces mais constantes de sua poesia  a das EVOCAÇÕES  e, aí, vê-la como exímia inventora de tesouros, a explorar os preciosos filões dos sentimentos e a trazer de seus subsolos as gemas mais belas, para maior glória de sua cidade.” (ALENCAR E SILVA (Quadros da Moderna Poesia Amazonense, Ed. Valer, 2011).

Astrid Cabral

3. A poética das pequenas coisas

Astrid Cabral faz a Poesia das Pequenas Coisas. O seu olhar costura o poema por dentro, alinhavando com precisão, na imaginação do seu leitor, os versos no pensamento, que flutuam no ritmo do poema, vislumbrando decifrar-lhe as metáforas, buscando as chaves e códigos do poema. 

Vejamos o que nos diz José Godoy Garcia, na edição de Astrid Cabral-50 poemas escolhidos pelo autor (Edições Galo Branco, RJ,2008): “A começar pelo título do livro, Ponto de Cruz, onde principiamos a tomar contato com as pequenas-grandes coisas da vida doméstica, como que colocadas harmoniosamente sobre a mesa. Mas, como toda a boa poesia, esta que nos vem de Astrid não nos prende à aridez e ao limitado território das palavras. Do exíguo mundo, das humildes e pequeninas coisas do dia-a-dia da cozinha, da casa, do quintal, projeta-nos alto e longe, graças ao mistério que só os autênticos artistas conseguem alcançar.”

Ponto de Cruz        (recorte do  blog Alma Acreana)

Lá fui eu ao armazém

comprar açúcar e mel.

Voltei com um quilo de sal

na boca o gosto do desgosto

lágrimas no rosto embutidas.

No balcão ao pedir vinho

vinagre me foi servido,

queria um maço de fogos

chuvas de prata e estrelas

para comemorar a noite

porém só havia velas

com que imitar o dia.

Lá fui eu ao armarinho

(tangida por que ventos

por que pérfidas sereias?)

comprar um dedal de amor.

Voltei com este coração

são sebastião de alfinetes.

O peito? retrós entaniçado

por mil linhas de aflição

euzinha toda por dentro

que nem pano em bastidor:

bico de agulha finoferoz

sobe-desce-sobe bordando

minha vida em ponto de cruz. 

(CABRAL, Astrid. De déu em déu: poemas reunidos (1979/1994). Rio de Janeiro: Sette Letras, 1998. p.42)

No poema que dá o título ao livro, podemos observar com nitidez o poder evocativo da poesia de Astrid, que se destaca pela capacidade de sugerir e provocar sensações, lembranças e estados de espírito no leitor, em vez de descrevê-los diretamente. O “manuseio” de recursos tais como: a subjetividade, o simbolismo, oposições de ideias, ritmos, aliterações, assim como temas como o “eu” interior, a melancolia e o mistério. Tudo isso faz do poema um repositório de imagens poéticas que buscam uma expressão espiritual e etérea, para criar uma atmosfera misteriosa e transpessoal.

De déu em déu

No livro De déu em déu 
 Poemas reunidos (1979-1994), o Professor Dr. Antônio Paulo Graça nos diz sobre Astrid, em seu artigo de apresentação: “Se “Torna-Viagem” se abria para o espaço amplo, para o exterior (em todos os sentidos), “Lição de Alice” se concentra na intimidade, no mínimo espaço, na vida doméstica e nas experiências que uma voz sensível, muitas vezes, outras, extremamente cáustica, não faltando mesmo, aqui e ali, um toque de crueldade. O leitor de Astrid Cabral não deve se deixar envolver inteiramente por sua sensibilidade. Como antídoto, preste-se atenção nos versos finais de ‘Nudez’  “Mas bendizemos o corpo que nos redime / e nos queremos selvagens, puros, nus. / Salvos pela misericórdia de nossa miséria.”  em que o paradoxo da última linha não nos deixa esquecer nossa condição liliputiana. Ao lado desse pendor crítico, há também uma tentação pela agressão pura, agressão contra as falsas convenções.”

Lição de Alice

No vale de lágrimas

a lição de Alice:

Não se deixar afogar.

Nadar na preamar

da própria dor.

Astrid Cabral  50 poemas escolhidos pelo autor

A primeira Lição de Alice (Philobiblion, 1986), ou seja, de Astrid Cabral, é precisamente a de levar ao leitor uma lição de pura poesia. Com raro domínio da linguagem poética, a autora ensina a difícil fórmula de, com poucas palavras, transmitir o essencial. Poesia evocativa, confessional, porém limpa: nem adornos exagerados, nem enxugamentos tais que retirem da pele do poema a própria essência poética.: “Tanta a febre de deter o instante / e sempre os rios a correrem/enchente ou vazante.” (Lenilde Freitas, em resenha crítica no livro Astrid Cabral-50 poemas escolhidos pelo autor – Edições Galo Branco, Rio de Janeiro, 2008).

Um dos poemas mais perfeitos desse livro, citado acima, na minha opinião, é “Sísifo de Avental”. Faz parte da vida de todos nós, que a lemos, essa sensação de estranha intimidade com que Astrid calibra seus versos e metáforas, como a dizer “em segredo” que somos cúmplices nas inconsistências da vida. A sua visão das pequenas coisas do dia a dia, a rotina, os filhos, a casa, o amor e o grande desafio de fazer poesia das alegrias e dores, ironias e resiliências, das agruras de existir, afinal. Existir num tempo/espaço, onde as mulheres estão em plena ascensão profissional no mundo, e de tudo o mais que a vida vai nos ensinando na prática, nos direciona o olhar a distâncias inusitadas, assustadoras e belas. Astrid encontra tempo e disciplina para escrever e nos encantar, definitivamente, com sua poesia. 

Sísifo de avental

Sísifo de avental

enche e reenche panelas

que se esvaziam na lida

de almoços e jantares

a encadear os dias

pois sempre vem a fome

que, voraz, tudo consome.

Então nessa condição

sem saída de trabalho

que não tem folga ou fim

beata, ela obra milagres

e das batatas arranca

a apoteose de purês e suflês

e mágica, extrai dos ovos

a própria neve do inverno

mais o verão consubstanciado

em dourados fios e chuviscos

petiscos de pudins e quindins

e doma as caldas nos vários

pontos de pasta fio espelho

pérola bala areia e caramelo.

E com sofisticados bifes

oblitera o massacre dos bois

e sobre toalhas faz florescer

jardins em saladas orvalhadas

de azeite vinagre e sal.

E sabe que até o fim dos dias

estão suas mãos destinadas

à faina sem folga ou fim

mas vai dando a sua faina

o seu próprio fim.

(Astrid Cabral-50 poemas escolhidos pelo autor  Edições Galo Branco, Rio de Janeiro, 2008).

3.1. As pequenas coisas do rio que transborda e inunda

Em seu Blog Palavra do Fingidor, o Acadêmico da AAL, poeta e escritor Zemaria Pinto, nos diz sobre a poeta: “A água é um elemento constante na obra poética de Astrid Cabral. O ápice dessa relação é o premiado livro Rasos d’Água: “uma viagem épica pela memória líquida, das lágrimas à neve, banhando-se de chuva, perscrutando o mar, os rios inúmeros, em permanente tensão com o pathos da morte, que ora se aproxima e sangra, ora se afasta e observa a velhice inevitável, ora apenas lembra/relembra a dor para sempre represada”, como escrevi na apresentação da segunda edição. Em Rasos d’Água, o eu lírico é um ser líquido, sem forma definida, que toma nova forma a cada poema. Para Astrid, a água é muito mais que a origem da vida e metáfora da criação: numa relação dialética que não se esgota nunca, é também fonte de morte e de destruição.

O poema “Água doce”, que é a água da memória, da infância, guarda a consciência disso, quando opõe a água do rio à água do mar, representada sempre por elementos negativos, como a “vândala violência do mar”, “a ameaça constante das vagas” e “a baba de espumas brabas”. Mas, aos poucos, essa consciência vai se redefinindo, a memória vai se recompondo, e as lembranças vêm à tona, sempre naquela relação vida/morte-criação/destruição: “A água do rio é mansa / mas também se zanga”. E enumera o lado oposto da água doce e mansa: banzeiro, enchente, correnteza, repiquete, cachoeira, redemoinho. Para quem compartilha essas memórias com Astrid, essas palavras podem parecer motivos de brincadeiras distantes. Mas ela adverte: o rio transborda e inunda, arrasta e mata, “afoga quem não sabe nadar”, “enrola quem não sabe remar”. No seu blog, Zemaria Pinto compartilha com seu público uma belíssima resenha crítica sobre a obra Rasos d’Água de Astrid Cabral (da qual retirei o excerto acima) e em parceria com o músico Mauri Mrq, publicam a obra lítero-musical A Lira da Madrugada, musicando o poema “Água doce” de Astrid Cabral.

Água doce

A água do rio é doce.

Carece de sal, carece de onda.

A água do rio carece

da vândala violência do mar.

A água do rio é mansa

sem a ameaça constante das vagas

sem a baba de espumas brabas.

A água do rio é mansa

mas também se zanga.

Tem banzeiro, enchente

correnteza e repiquete.

Pressa de corredeira

sobressalto de cachoeira

traição de redemoinho.

A água do rio é mansa

corre em leito estreito.

Mas também transborda e inunda

também é vasta, também é funda

também arrasta, também mata.

Afoga quem não sabe nadar.

Enrola quem não sabe remar.

A água do rio é doce

mas também sabe lutar.

A água doce na pororoca

enfrenta e afronta o mar.

Filha de olho-d’água e de chuva

neta de neve e de nuvem

a água doce é pura

mas também se mistura.

Tem água cor de café

tem água cor de cajá

tem água cor de garapa

tem água que nem guaraná.

A água doce do rio

não tem baleia nem tubarão

tem jacaré, candiru, piranha

poraquê e não sei mais o quê.

A água doce não é tão doce.

Antes fosse.

Clique AQUI para escutar o poema musicado.

3. 2. O cardápio diário das pequenas-grandes coisas

Hildeberto Barbosa Filho, em 50 poemas escolhidos pelo autor, afirma: “Em Astrid, as coisas, os objetos, as situações de rotina, os ambientes, as ideias, enfim, toda e qualquer matéria prima de poesia, como que se transmutam em realidades outras, integrando uma outra ordem da existência em que as noções imediatas de tempo e espaço, de espessura e de aparência terminam aniquiladas, para que se faça presente o substrato de uma ordem secreta  uma ordem que pode ser ternura ou uma ordem que pode ser crueldade  a gerir os apelos abissais das coisas e dos seres.” (P. 107)

Em “Cardápio”, poema que compõe o elenco de Lição de Alice, Astrid nos exemplifica a dissertação acima:

Cardápio

Nosso cardápio diário

inclui carnes assadas

e angústias bem passadas.

Inclui sangrentos nacos

cobertos de molhos pardos

que sabem a desgosto.

Inclui mil hipocrisias

devidamente empanadas

e servidas à francesa

bem antes da sobremesa

de frutas esquartejadas.

Inclui entre as iguarias

amizades congeladas

sonhos em banho-maria

deleites de amor requentado

em rançosos azeites.

Ódios com pó de pimenta

e as trêmulas gelatinas

de dúvidas coloridas.

Inclui o tédio guarnecido

de exóticos temperos.

Inclui o medo camuflado

em camadas de batatas.

Inclui a morte servida

sem o menor escrúpulo.

(CABRAL, Astrid. De déu em déu: poemas reunidos (1979/1994). Rio de Janeiro: Sette Letras, 1998. p.280)

A leitura dos poemas de “Lição de Alice” me tocaram a tal profundeza que de lá, dos meus “intramuros” escrevi um poema chamado “Espelho de Alice”, que faz parte do meu livro In(-)versos do meu Verso. Por lapso meu deixei de dedicá-lo à Astrid, o que faço agora. 

Espelho de Alice

                      À Astrid Cabral 

Um dia tive um sonho

Cavalo solto, crinas ao vento

Luz de luar, luar de sangrar

A guiar-me trôpegos os pés

Bosques meus, tendas minhas 


Escudo de Perseu oblíquo

Noite travestida de sol

Bocas em notas noturnas

Espelho invertido de Alice. 


Quem vem me buscar?

Sequestrei-me do sonho

Crime inafiançável, hediondo

Forasteiro de além-pátria! 


Busquei-me entre os espelhos

Sem me encontrar em nenhum

Estilhaços de mente-cuore

Cinzas de amor destratado 


E já me tardo na dor...

Vazio de bocas e vozes

Bar aberto, copos vazios

Peitos outrora plenos e meus

Hoje negro e frio acepipe. 

(Rita Alencar Clark, In(-)versos do meu Verso, TAUP, Curitiba/PR, 2024)

4. Da íntima carne da poesia de Astrid Cabral  despedida

A escrita de Astrid Cabral, antes de ser feminista, pois os tempos eram outros, era feminina. Ela nos empresta suas asas para que possamos alcançar a sensibilidade , muitas vezes crua e superior, conquanto ácida, de seus poemas. A sua costura de versos e evocações se faz por dentro da pele, e se mostra entre músculos e consciência, subindo e descendo a fina agulha da poesia em nossos corações, se assim quisermos. Penso que há muito precisávamos fazer esta homenagem à Astrid Cabral, pela sua laureada carreira literária, pelo seu talento inenarrável, pela beleza que nos comove e arrebata a todos quando lemos e penetramos na íntima carne de sua poesia.

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Arquivo da autora

Rita Alencar Clark, professora de Língua portuguesa e Literatura, poeta Amazonense, contista, cronista, ensaísta e revisora. Membro  Efetivo do Clube da Madrugada (AM) desde 1984, membro fundador da ALB/AM - Academia de Letras do Brasil/Amazonas , da ACEBRA - Academia de Educação do Brasil, Membro da AJEB/AM (Associação de Jornalistas e Escritoras) e ASSEAM (Associação dos Escritores do Amazonas) . Colaboradora do Blog Feminário Conexões e dos Coletivos Enluaradas e Mulherio das Letras, com participação em diversas coletâneas e antologias poéticas, sempre representando o Amazonas. Tem três livros publicados:  "Meu grão de poesia, Milton Hatoum - Um certo olhar pelo Oriente-Amazônico" e "In(-)versos do meu verso".


sexta-feira, 23 de maio de 2025

ENQUANTO AS HORTÊNSIAS FLORESCEM, HELIENE ROSA

A ROSA E O JARDIM

Por Marta Cortezão[1]

 

O poema se faz sozinho

Na leveza do sentimento

[Poesia do mo(vi)mento, Heliene Rosa]

 

Arquivo da autora
Os versos, semeados pelas mãos que lavram sentimentos no solo branco e solitário do papel, brotam fertilizados pela beleza artística da palavra ritmada que perfuma com poesia e dá viço aos estados de essência cultivados no jardim poético de Heliene Rosa. É a leveza harmônica, presente na essência do Belo, que perfuma cada poema em sua unicidade e sensibilidade, pois é essa Beleza o pano de fundo deste jardim de Rosa, assim como da palavra bailarina que, sempre em movimento, molda a forma de cada verso-flor para manifestar-se ao mundo exterior sensível, bem diante dos olhos passantes do(a) leitor(a) que param a contemplar, extasiados, diverso jardim.

Esta voz do Feminino Rosa, que levanta seu canto, neste livro-jardim Enquanto as hortênsias florescem, é a voz que embala a poesia próspera e pura que vem do chão! É a voz clareira da alma que sonha flores, “em miríades de cores” e distribui esperança pelo caótico mundo em que vivemos, ainda que as palavras sejam escassas e os caminhos tortuosos: “Enquanto as hortênsias florescem / No jardim / palavras me traem / palavras me faltam / me perco de mim (...) Enquanto as hortênsias florescem / Em miríades de cores / Sobre folhas e haste / Enfeitando o jardim”.


Arquivo da autora
É a voz da ancestralidade que se consolida na força da intelectualidade de Rosa, que, primeiramente, descolonizou seu jardim, para só então partilhar as sementes férteis pelo mundo. Como aperitivo, desfrutemos do fragmento do poema Dindinha, no qual escutamos a voz sábia e selvagem que muito ensina: “com ela aprendi: que na vida, / Nem tudo é do jeito que a gente quer / Mas ninguém deve duvidar / da força e do poder / De uma mulher!” Rosa, imersa na força de sua africanidade, solta a voz para dizer das dores que atravessam suas vivências, mas ela escreve para consolidar sua existência, que também é a nossa. O poema Servidão dialoga com as muitas histórias de vida tecidas nestes versos: “Em algum canto, / Sonhos de amor roubados/ E soluços, silenciados. (...) E a dança dos séculos, / Sofistica a crueldade; / Exploração naturalizada...(...) / Como arrancar do poema / Esse refrão?”. As reviravoltas dos versos de Rosa, em meio à polifonia de vozes femininas, se encarregam de trazer a resposta, que vêm com o vento da coletividade, onde o sopro é de verde esperança e de otimismo, porque somos mulheres de luta e de sonhos: “lutamos juntas agora, / E não podemos retroceder! / Pois já dizia o poeta, / Quem sabe faz a hora / Não espera acontecer!” E assim meus olhos de leitora, ao contemplarem tão belo jardim, vão se emocionando neste amor pulsante que me abraça, poeticamente, como no poema Labirinto, onde “frenética dança / Aquece-me a esperança / E reinvento o mapa / Desenho novos caminhos / Para o meu labirinto particular.”   

Arquivo da autora
Caro(a) leitor(a), é neste jardim florido, cultivado em Terra-Mãe, “Nossa Nave-Terra, nosso lar, / Corpo coletivo ancestral”, onde Árvores, “em suas entranhas / Rios internos deságuam / nas raízes que sustentam o mundo”, que convido você a adentrar. Entre sem medo, aqui as palavras nos lavam a alma em rios de Feminiscências, onde “Universos se fundem / Centelham faíscas divinas / Das entranhas da Terra”. Aqui há Pássaros que “habitam o céu / Tingem-no de plumagens coloridas / E rasgam o azul/ Intrépido voo” com “Seu canto flecha / Endereçado ao infinito”. Aqui, no Jardim da Poeta Heliene Rosa, há uma aventura fantástica de dança ritmada de doce e engajada poesia que se apresenta ao mundo! Entre em contato com a autora, adquira o seu exemplar e boa leitura!

Leitura de poemas de Enquanto as hortênsias florescem, por Marta Cortezão:




[1] Para contratar resenhas literárias entre em contato via e-mail martabartez@gmail.com

ROSA, Heliene. Enquanto as hortências florescem. Uberlândia (MG): Editora Subsolo, 2023.

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Arquivo da autora
Heliene Rosa, natural de Patos de Minas, Minas Gerais, é uma escritora, professora e pesquisadora dedicada às poéticas femininas. Mestre em Linguística e doutora em Estudos Literários pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Heliene é uma voz ativa na militância pelas causas das mulheres e da negritude. Articulista no Blog Feminário Conexões e integrante de diversos coletivos femininos, fundou, em 2016, o GELIPLIT (Grupo de Estudos em Língua Portuguesa e Literaturas), com o propósito de promover a formação continuada de professores de Língua Portuguesa e Literatura.

Com uma carreira marcada pela coordenação de projetos literários e pedagógicos, Heliene foi premiada no Oitavo Concurso Nacional pela Igualdade de Gêneros com uma sequência didática voltada à escrita, envolvendo estudantes do Ensino Básico. É coautora em diversas coletâneas nacionais e internacionais e organizadora de antologias literárias e acadêmicas. Em sua produção autoral, destaca-se com os livros Enquanto as hortênsias florescem (2023) e Literatura é território: poéticas femininas indígenas em movimento (2024).

domingo, 18 de maio de 2025

POESILHA, DOS PEQUENOS TRATADOS DO COTIDIANO, DE DALVA LOBO

POESILHA: UMA VIAGEM POÉTICA DE REDENÇÃO

Por Marta Cortezão[1]



[1] Para contratar resenhas literárias entre em contato via e-mail martabartez@gmail.com

 

quero encontrar a ilha desconhecida, quero saber quem sou eu quando nela estiver, Não o sabes, Se não sais de ti, não chegas a saber quem és

(José Saramago, O Conto da Ilha Desconhecida)


Capa livro Poesilha / Arquivo da autora
A leitura de Poesilha: dos pequenos tratados do cotidiano, de Dalva Lobo, conectou-me com a “ilha desconhecida” de Saramago. Na citação acima, temos um diálogo do homem que solicita um barco ao rei e a mulher da limpeza que toma a decisão de seguir seu destino, em busca da ilha desconhecida. A mulher que limpava o palácio, abria as portas, fez a sua escolha:

Pensou ela que já bastava de uma vida a limpar e a lavar palácios, que tinha chegado a hora de mudar de ofício, que lavar a limpar barcos é que era a sua vocação verdadeira, no mar, ao menos, a água nunca lhe faltaria. O homem nem sonha que, não tendo ainda sequer começado a recrutar os tripulantes, já leva atrás de si a futura encarregada das baldeações e outros asseios, também é deste modo que o destino costuma comportar-se conosco, já está mesmo atrás de nós, já estendeu a mão para tocar-nos o ombro, e nós ainda vamos a murmurar (...)

Essa busca necessária e humana pela sabedoria que está nas pequenas coisas da vida, no cotidiano, é o que de fato nos faz abrir os olhos para o que a vida nos ensina. Para Sócrates, “só é útil o conhecimento que nos torna melhores”. Eis a essência da busca pela “ilha desconhecida” que também verseja na poética de Dalva Lobo.

No prefácio, Vanderlei Barbosa, afirma que a literatura de Dalva Lobo “aguça os cinco sentidos: amplia a visão, dilata as pupilas, provoca aromas, oferece sabores, toca corpo-alma” (p.11). É um tratado de celebração da vida onde se pode escutar a melodia de fundo que inspira a alma a seguir a viagem, porque “é necessário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não nos saímos de nós, se não saímos de nós próprios”. Assim que o poema-convite convoca:

ESTÁ ABERTA A SESSÃO! (p.15)

Que entrem os loucos, os poetas e os errantes.

E se algum bêbado quiser, que entrem também e se embriague,              

               de vinho, de poesia e de tudo o que for bom para

               a alma.

E os “cansados do ócio amargo” de Mallarmé,

                sentem-se à mesa com Rimbaud, Pessoa, Rosa,

                Leminski e outros.

A quem tem sede, sejam servidas taças de vinho,

A quem tem fome, uma lauta refeição ao gosto poético,

Neste banquete há lugar para todos,

Desde que loucos, poetas e errantes, 

                Porque neles reside a sabedoria de quem ama a vida,

                a beleza e a virtude!

                                                  Um brinde!

Contracapa Poesilha
Arquivo da autora
Há lugar para todos, mas é preciso estar faminto e sedento pelo novo, pelo diferente, pela pluralidade e, especialmente, desvencilhar-se das amarras do egoísmo para ter olhos fidedignos e enxergar, com coerência e ética, “a beleza e a virtude”. A poética de Poesilha é uma viagem de redenção. Há uma Ítaca perdida dentro de cada um de nós. Enfrentamos diariamente toda espécie de obstáculos para encontrar nossa Ítaca, somos o fiel arquétipo do errante Ulisses nos enfrentando aos próprios monstros marinhos, criados pelo próprio medo que nos impede de enxergar o desconhecido. E quantas vezes nos perdemos da rota? E quantas vezes a ilusão da falsa felicidade nos desvia do que, de fato, nos é essencial para a vida? Por que desviamos o olhar dos olhos que refletem a nossa própria existência?

Poesilha (p.19)

Na poesilha encontrei um espasmo de luz e uma conta feita

das pérolas dos olhares sem fim.

Foi suficiente para desfilar na passarela da vida.

Um brinde à vida, ao amor, à amizade, aos desafios.

Um eterno brinde ao brilho que reluz de cada olhar.

2ª orelha de Poesilha
Arquivo da autora
Tudo o que precisamos para enfrentar os obstáculos da viagem está dentro de cada um de nós. E não adianta fugir às tempestades, aos maremotos, se são eles que ensinam como lidar com a noite que “chega para todos”, mas “a tela, / plácida, espera o toque que virá / quando a noite findar // Serão os dedos, os pincéis. / E a paleta de cores, / a vida mesma”.  E há sempre uma aurora trazendo a celebração de um novo dia! Há que aceitar as fraquezas e vestir-se com a força que vem delas, pois a “vastidão que nos cobre como um deserto, / faz-nos inocentes de nossos crimes não cometidos (...) // Fugimos, então às nossas regras, tentando não perceber / que nos tornamos cúmplices de nós mesmas no momento em / que nos deixamos envolver pela doce sensação da liberdade que, / num átimo de segundo, / transforma-se em vastidão!”.

Desistir da viagem nunca será a solução. A solução é atender o chamado de olhar para dentro de si e seguir em busca da “ilha desconhecida”, porque “entre mim, meu corpo e a Via Láctea / [todo caminho é possível]”. Faça chuva ou faça sol, “entre as pedras existem vários caminhos / e nós escolhemos, sempre”, porque viver é tomar decisões, é sair do palácio, como a “mulher da limpeza”, que escolheu o seu barco para ir em busca da ilha desconhecida e não titubeou em revelar-se ao desconhecido:

A mulher da limpeza não se conteve, Para mim não quero outro, Quem és tu, perguntou o homem, Não te lembras de mim, Não tenho ideia, Sou a mulher da limpeza, Qual limpeza, A do palácio do rei, A que abria a porta das petições, Não havia outra, E por que não estás tu no palácio do rei a limpar e a abrir portas, Porque as portas que eu realmente queria já foram abertas e porque de hoje em diante só limparei barcos, Então estás decidida a ir comigo procurar a ilha desconhecida, Saí do palácio pela porta das decisões,

Dalva Lobo
Arquivo da autora
A mudança é um processo invasivo, mas necessário para nossa própria evolução. Entender nossos processos sem ter todas as respostas é o mais normal do mundo, porque ninguém tem todas as respostas: “Não responda, não tenha pressa, / O tempo é um caos e o caos é o silêncio que grita sufocado” dentro de nós para nos fazer seguir adiante, mesmo com o medo por fiel companheiro. A poeta convoca os acomodados à ação:

Os acomodados que se mudem (p.36)

 

Mudem de alma,

Mudem de pele.

 

Mudem de casa,

Mudem de planeta.

 

Apenas mudem.

 

E se não for possível mudar

de alma

de pele

de casa

de planeta

Mudem apenas o desejo de mudar,

Sabendo do risco perene das mudanças sem fim a que estamos,

graciosamente, condenados.

Arquivo da autora
E com o passar do tempo, aquelas mudanças tão temidas se tornam nossos melhores acertos, são elas que florescem no desértico barco que cruza o infinito em busca da ilha desconhecida, a que habita em nós, os próprios sonhos, os próprios desejos, o próprio humano ser em processo de conhecimento contínuo. Somos o barco vagando no infinito, enfrentando as tempestades, mas também disfrutando da paleta de cores da vida, porque durante o percurso da viagem, o próprio barco se fez ilha conhecida, floresceu, deu frutos, se fez terra vistosa e à vista dos que nos acompanham na viagem, como no conto da “Ilha Desconhecida”, onde a caravela transformou-se numa “floresta que navega e se balanceia sobre as ondas, uma floresta onde, sem saber-se como, começaram a cantar pássaros, deviam estar escondidos por aí e de repente decidiram sair à luz, talvez porque a seara já esteja madura e é preciso ceifá-la.”. Tudo o que precisamos está dentro de nós, pois somos uma imensidão divina, ainda quando tudo for deserto, haverá o cacto e haverá a beleza da flor para colorir a imensidão nos tons de rosa:

Despedida de Poesilha (p.50)

Às vezes povoamos o deserto

Outras vezes, ele nos povoa.

Não sei exatamente porque essa imagem está em minha mente

Suspeito que há um deserto sondando

                     a existência e imprimindo sua marca.

Mas o rastro não se apagará quando dançar ao sabor do

vento,

porque o vento também, meu amigo,

                    habita o deserto e passa por ele, assim

                    como a chuva e o sol.

Só tenho certeza de uma coisa:

O sol, a chuva e o vento que passam por este deserto

Têm a certeza secular de que marcas impressas,

                     ainda que estejam sob a força da

                     natureza, permanecem.

Por isso, não nos esquecemos jamais de quem amamos

Nenhuma distância é suficiente para apagá-la de nossa vida.

O tempo é testemunha,

Mais do que remédio, ele nos lapida a alma.

Poucas pessoas deixam marcas tão enraizadas.

                       Pouquíssimas deixam rastros indeléveis.

 A natureza que cumpre seu ciclo.

O rastro,

O raso,

O profundo.

Tudo é deserto agora,

Mas no deserto também floresce o cacto

E entre seus espinhos

                     a flor delicada colore a imensidão de rosa.

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LOBO, Dalva. Poesilha: dos pequenos tratados do cotidiano. Juiz de Fora (MG): Editora Siano, 2022.

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Arquivo da autora
Dalva Lobo, doutora em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) e Pós-Doutora em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), tem poemas publicados na Coletânea Enluaradas II Uma Ciranda de Deusas; na Revista Literária "Travessias Literárias, no Facebook; no blog 'Feminário Conexões' e no 'Banzeiro Conexões'. Participou do canal N'outras Palavras (Youtube) com seus poemas e prosas poéticas e do I FLENLUA- Festival literário. Autora da obra "Catatau: dos labirintos da linguagem à criação de ambiências sonoras", é membro da Academia Lavrense de Letras (Lavras-MG). A paulistana, que reside atualmente em Lavras-MG, leciona na Universidade Federal de Lavras (UFLA) onde coordena o Grupo de Pesquisa Intersignos (Literatura, Linguagem, Tradução Intersemiótica e Formação Docente). É membro do GEP Teoria Crítica e Educação (UFSCar/UFLA), e sua pesquisa visa ao diálogo entre a literatura, as poéticas da linguagem e as performances de leitura. 


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