sexta-feira, 8 de maio de 2026

A LITERATURA COMO ABRIGO, ESPELHO E TRAVESSIA, POR ELIZABETE NASCIMENTO

Arquivo da autora

ALMA EM PALAVRAS: A LITERATURA COMO ABRIGO, ESPELHO E TRAVESSIA – A FORÇA DA ESCRITA FEMININA NA 14ª COLETÂNEA DA AJEB

Por Elizabete Nascimento

INTRODUÇÃO

 

[...] se não falo, é porque escrevo/a dor que não ousa contar.

Marly Lopes (In: Alma em Palavras, 2026, p. 61)

 

 

A literatura sempre foi um espaço de encontro, resistência e ressignificação. Em 2026, a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB) reafirma esse compromisso com o lançamento da Coletânea Internacional – Alma em Palavras: A Literatura como Abrigo, Espelho e Travessia. Organizada pela presidente da AJEB Mato Grosso, esta obra marca a 14ª coletânea da associação que se consolida como um marco na literatura feminina contemporânea.

A coletânea foi oficialmente lançada durante o VI Encontro Nacional e V Encontro Internacional da AJEB/2026. O evento ocorreu na cidade de Sinop, no estado de Mato Grosso, entre os dias 09 e 12 de abril, e contou com a participação de aproximadamente 70 mulheres escritoras e jornalistas representantes de diversas regiões do país para celebrar a união, a troca de experiências e a força da produção literária e jornalística feminina.


Fonte: https://www.revistamaisbonita.com.br

A AJEB, nos seus 56 anos de existência, foi fundada pela visionária Hellê Vellozo Fernandes que carrega um longo histórico de incentivo à voz e ao talento das mulheres. Com o olhar voltado para a riqueza cultural de cada estado, a AJEB Mato Grosso celebra sua identidade tendo como patrona a professora, musicista, jornalista e escritora Dunga Rodrigues, uma figura inspiradora que reflete a força, a pesquisa, a cultura e a tradição das letras em Mato Grosso. É sob essa tradição de acolhimento e valorização que a atual edição se ergue ao unir o talento de mulheres de 20 regiões do Brasil (e de representações internacionais), formatando assim um grande mosaico cultural vibrante e representativo. Assim, convidamos Nelly Novaes Coelho (1993) e Simone de Beauvoir (1980) para legitimar o movimento da literatura contemporânea escrita por mulheres, focalizando na coletânea internacional da AJEB: Alma em Palavras – a literatura como abrigo, espelho e travessia (2026).

Coletânea Internacional AJEB/2026

A FORÇA DA ESCRITA FEMININA NA 14ª COLETÂNEA DA AJEB 

Escrever é uma forma de existir.

Clarice Lispector

 

 

A epígrafe acima abre a obra - Alma em Palavras: a literatura como abrigo, espelho e travessia (2026) – simboliza a trajetória da escrita feminina que alavanca a partir da [re]existência. Mais do que uma antologia de textos, a obra funciona como um documento de valor histórico e afetivo. A coletânea traz um mapeamento detalhado, apresentando:

  • A data de fundação de cada coordenadoria da AJEB;
  • O nome da presidente responsável por cada regional;
  • A trajetória das mulheres-jornalistas-autoras por meio de seus textos e de suas biografias.

Essa organização editorial permite que o leitor compreenda a capilaridade da instituição e a força do trabalho em rede realizado pelas jornalistas e escritoras em todo o território nacional. A pluralidade é a grande tônica da obra. A composição da coletânea abrange diversos gêneros discursivos, o que permite que cada escritora expresse sua singularidade e seu estilo próprio. Os leitores encontrarão um panorama diversificado que inclui:

  • Crônicas: Reflexões sensíveis sobre o cotidiano, as dores e as alegrias da vida moderna;
  • Contos: Narrativas envolventes que exploram o mistério, a ficção e a condição humana;
  • Poesias: Versos que tocam o coração e exploram a profundidade da alma feminina.

O título da 14ª coletânea da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB) possui uma forte carga simbólica e metafórica que nos permite compreender sua densidade, podemos cruzar o pensamento existencialista e feminista de Simone de Beauvoir com a crítica literária e os estudos sobre a literatura de autoria feminina de Nelly Novaes Coelho. A união desses dois olhares teóricos nos permite enxergar a obra não apenas como uma antologia, mas como um manifesto de existência, autonomia e acolhimento.

Em sua célebre obra O Segundo Sexo, Simone de Beauvoir discute como a mulher historicamente foi colocada na posição de “Outro”, confinada à imanência, enquanto o homem se realizava na transcendência. A escrita literária surge, nessa perspectiva, como um dos caminhos para que a mulher alcance sua própria voz e autonomia.

O Espelho (Identidade e Alteridade): Beauvoir argumenta que a mulher precisa se libertar das imagens construídas pelo olhar patriarcal sobre ela. O “espelho” no título da coletânea simboliza a ressignificação do eu: o texto literário é a própria mulher porque, permite que ela se veja como autora do discurso e de sua história.

A Travessia (Ação e Transcendência): Para a autora, a literatura é uma ferramenta de ação no mundo. A "travessia" representa o ato de romper os limites impostos pelo silenciamento histórico e transitar para a transcendência, onde a mulher se torna dona de seu destino e de suas narrativas. “Não se nasce mulher, torna-se mulher.” (Beauvoir, 1980, p. 9)

 

A renomada crítica literária brasileira Nelly Novaes Coelho dedicou-se a investigar o lugar da mulher nas letras. Em seus estudos, especialmente na obra A Literatura Feminina no Brasil Contemporâneo, analisa como o discurso feito por mulheres rompe com os modelos tradicionais e se torna um espaço de amadurecimento da consciência crítica.

Para Coelho, a literatura atua como um refúgio para as vivências que foram silenciadas na sociedade. O termo “abrigo” sintetiza esse espaço seguro onde a “alma” (a subjetividade, a sensibilidade e a intelectualidade feminina) encontra acolhimento para se manifestar sem receio de julgamentos porque como poetiza Márcia Schweizer (2026, p. 58): “cada sílaba é ponte/cada rima, abrigo, / onde a alma repousa/e se veste de infinito”. A autora destaca que a literatura feminina não é apenas ficção, mas o próprio sopro vital materializado em linguagem que traduz a singularidade do pensamento feminino.

 

A literatura feminina vem ganhando um espaço cada vez mais significativo [...] no panorama geral da Literatura Brasileira [...] com o amadurecimento crescente de sua consciência crítica. (Coelho, 1991, p. 91)

 

A junção dessas duas abordagens teóricas nos permite decompor o título da coletânea da seguinte maneira:
               Alma em Palavras: focaliza na interioridade, as dores, as alegrias e os anseios da mulher (sua alma) ganham contorno e existência por meio da linguagem escrita (palavras).
                Abrigo: destaca uma "casa" de proteção e identificação mútua entre as escritoras e suas leitoras.
            Espelho: simboliza quem a mulher é de fato, longe dos estereótipos, fator que permite o autoconhecimento.
                Travessia: ressalta o movimento de transição, onde a mulher passa da condição de mero objeto histórico (imanência) para a condição de autoria ativa que transforma sua realidade (transcendência).

Selecionamos e trazemos para este cenário, um poema da obra – Sorriso Espelhado (2026, p. 163) – de Brenda Marques Pena, a fim de apresentar a profunda sensibilidade feminina voltada ao universo interior, onde a memória e o autoconhecimento são pontos focais. Analisar este texto à luz das abordagens de Simone de Beauvoir e Nelly Novaes Coelho nos permite compreender a escrita como um ato de ressignificação da existência feminina e de expressão da subjetividade feminina.

O poema inicia-se com “No meu coração escorre um rio”, demonstra que o eu lírico encontra em seu próprio interior o refúgio (abrigo) para as suas emoções. A “alma” mencionada na coletânea encontra, aqui, morada no próprio corpo e na sensibilidade.

No trecho “e brinco de fazer correnteza / lançando pequenos objetos”, a voz poética assume um papel ativo. A mulher que brinca com o fluxo da água demonstra que é capaz de interferir em sua própria história e no mundo ao seu redor, de modo a romper com a imanência e exercer a transcendência. Reconhecer-se como ser é também o primeiro passo para a conquista da independência e da autenticidade da experiência vivida.

O verso “No fundo dele Encontro pedras / De construir poemas” traduz exatamente o conceito de amadurecimento da consciência crítica. As “pedras” (obstáculos, dores ou marcas da vida) não são rejeitadas; são utilizadas como matéria-prima para a construção da poesia, assim transforma a vivência em linguagem e arte. “A literatura da mulher é o registro do seu amadurecimento, onde o íntimo se torna universal pela força da palavra.”

Nos versos finais, “Vejo o movimento / como se o lago / sorrisse para mim”, observa-se uma metáfora que remete ao espelho de Beauvoir. O lago não reflete a imagem imposta pelo olhar do “Outro” (patriarcal), mas simboliza a própria subjetividade da mulher. O sorriso é o símbolo do autoamor, da autovalorização e do reconhecimento de si mesma como protagonista.

O poema “Sorriso Espelhado” dialoga com o título da coletânea Alma em Palavras ao articular os seguintes elementos:

Abrigo: revelado na infância e nas memórias da segundo estrofe, que protegem a essência da mulher.

Epelho: apresentado no reflexo das águas (lago), onde a mulher se vê e se reconhece com afeto.

Travessia: simbolizada pelo movimento da correnteza e pela transição do sofrimento à criação poética (“construir poemas”).


Para a crítica Nelly Novaes Coelho, a literatura de autoria feminina funciona como um espaço onde a mulher elabora suas vivências de forma crítica e sensível, deste modo legitima voz às suas dores e superações. O texto de Brenda Marques Pena, assim como de outras mulheres que participam da coletânea Alma em Palavras, materializa a força da escrita feminina, aponta que olhar para o próprio interior é um ato de coragem e de autolibertação porque no final o que nós, mulheres, desejamos: “é Ser/Tão somente ser” (Botelho. In: Alma em palavras, 2026, p.36).

 


CONCLUSÃO

Na perspectiva existencialista de Simone de Beauvoir, a libertação da mulher passa pela capacidade de transformar a experiência vivida em ação e transcendência, de modo a libertar da passividade ou da autoalienação.

Mais do que uma simples reunião de textos, a Coletânea Internacional Alma em Palavras é um convite ao acolhimento. Ao utilizar a literatura como abrigo, espelho e travessia, as autoras oferecem ao público/leitor uma janela para suas vivências e visões de mundo. A obra configura-se como um testemunho vivo da potência da mulher na literatura e do poder que a palavra escrita tem de conectar, transformar e transcender fronteiras.

Palavras-chave: Literatura Feminina; AJEB (Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil); Crítica Literária; Subjetividade; Transcendência.

REFERÊNCIAS

BEAUVOIR, Simone de. O Segundo Sexo (Vol. 2: A Experiência Vivida). Tradução de Sérgio Milliet. São Paulo: Difel, 1980.

COELHO, Nelly Novaes. A literatura feminina no Brasil contemporâneo. Língua e Literatura, São Paulo, n. 19, p. 91-101, 1991.

COELHO, Nelly Novaes. A Literatura Feminina no Brasil Contemporâneo. São Paulo: Siciliano, 1993.

ZILIOTTO, Leni Chiarello (Org.). Alma em palavras: a literatura como abrigo, espelho e travessia. Passo Fundo: LINE, 2026.

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Arquivo da autora

Betina Costa é integrante da AJEB Piauí. Advogada há mais de 20 anos, é fundadora do Instituto Consensum - Educação e Soluções Corporativas e consultora em Gestão de Conflitos Organizacionais, integrando Mindfulness, Mediação Corporativa e Segurança Psicológica. É Mestre em Direito com ênfase em Resolução de Conflitos pela Ambra University. Palestrante, TEDx Speaker, autora dos livros Universo Particular e Gestão de Conflitos Organizacionais, além de coautora em obras sobre cultura de paz. No currículo afetivo, é filha de Cláudia e Joaquim, esposa de Celso e mãe de Joaquim, Catarina e Benício.


Arquivo da autora

Elizabete NascimentoMãe de Jefferson Thiago, Diego Terada e Ighor Vinícius; vovó do Samuel e da Alícia. Doutora em Estudos Literários (PPGEL/UNEMAT), atualmente, professora formadora do componente curricular de Língua Portuguesa na Diretoria Regional de Educação/DRE, município de Cáceres-Mato Grosso. Autora dos livros: A educação ambiental e Manoel de Barros: diálogos poéticos (Paulinas, 2012); Asas do inaudível em luzes de vaga-lumes (Carlini & Caniato, 2019); Sinfonia de Letras: acordes literários com Dunga Rodrigues (2021); Granada (2023); Quando aprendi outra linda forma de amar (2024); Império (2024); Pétalas de Aço (2025); Memórias: Alforrias e Traços de Mulher (org. 2026). Integrante da AJEB/Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil e do PEN Clube  Associação Mundial de Escritores. http://lattes.cnpq.br/4585210198661387


20 comentários:

  1. Que artigo necessário, meninas! Ele informa sobre este importante evento e lançamento da coletânea Alma em palavras e, cumpre a ação formativa sobre as obras das autoras Nely Coelho e Simone de Beauvoir, enriquecendo nossos conhecimentos sobre a escrita feminina e seu potencial libertador.! Parabéns, Betina e Elizabete! querida! Bete! Saudade de você.

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    1. Gratidão, Margarida! Sempre generosa nos comentários. Saudadesssss. Bjks!

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  2. Profa. Elizabete, existem pessoas que atravessam a vida construindo pontes onde outras levantam muros, e você é, sem dúvida, uma dessas raridades que nos ajudam a atravessar pontes. Sua compreensão de coletividade não é um conceito abstrato, mas uma prática viva; você entende que o "nós" sempre será mais potente que o "eu" e que a verdadeira força reside na capacidade de sustentar o outro sem anular a si mesmo. É inspirador observar como você habita os espaços, transforma cada encontro em uma oportunidade de somar, acolher e fortalecer os laços que mantêm o mundo minimamente humano. O seu texto sobre a poesia de Betina, está lindo...
    Onde muitos buscam a razão, você busca o diálogo, sabe fazer da arte de ouvir o que não é dito e de falar com a coragem de quem preza pela *verdade*, mas com a ternura de quem valoriza o vínculo. Seu companheirismo é um porto seguro; é aquela presença silenciosa e sólida que não vacila diante das tempestades, lembrando-nos de que ninguém precisa caminhar sozinho. Ter você por perto é ter a certeza de que a lealdade ainda é o solo mais fértil onde se pode plantar o futuro, e que a generosidade de espírito é, de fato, a maior das inteligências. Abraços e continue nesta linda caminhada, tendo meu carinho sempre...

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  3. Larissa Laura Jara Siqueira8 de maio de 2026 às 19:46

    Que coisa maaaaais linda ver tantas mulheres construindo juntas algo tão forte e principalmente significativo! A literatura vira abrigo quando existe acolhimento e essa parceria entre as vozes femininas. Muito admirável demais! Te celebro em todas as estações prof <3

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    1. Larissa, querida! O Entrelaçar de mãos produz utopias... bjks!

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  4. Parabéns Elizabete! Um artigo lindo e necessário, que potencializa a força da poesia feminina e dos coletivos literários. Conheço a força da AJEB, e o lançamento da Coletânea "Alma em palavras " foi de grande relevância no tocante à visibilidade de muitas vozes e do conhecimento significativo sobre o feminismo. Você nos representa sempre.🤝🏻🌹

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    1. Você também me representa Rilnete Melo! É lindo ver essa recíproca operando em NÓS. BJKS🥰🥰!

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  5. Jocineide Catarina Maciel Souza9 de maio de 2026 às 15:04

    Bete a sensibilidade da sua escrita e seu olhar para o trabalho coletivo da produção feminina é realmente apaixonante. Ser doutora em Estudos Literários no mesmo programa que você se pós graduou me ajuda compreender sua escolha teórica, mas é a convivência diária que me permite testemunhar o ser humano incrível que você é. Me incentivou a publicar meu primeiro poema em uma coluna de jornal. Me incentivou a escrever várias críticas literárias sobre a produção de outras mulheres... Me apresentou a tantas escritoras fantásticas e por duas vezes vive a experiência AJEB que de fato é e um trabalho COLETIVO de fortalecimento da produção feminina... Parabéns Bete, por viver a coletividade de forma leve e divertida, porque se a vida já nos aperreia, que a escrita seja nosso escape kkkkkk

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    1. Bem Isso! Se não for para ser leve... vamos tirando da bagagem... kkkk

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  6. A escrita coletiva é ousar-se a não se calar. É ousar-se em palavras, é gritar ao mundo sobre a (Re)existência do coletivo de mulheres. Pensar a palavra coletivo poderia nos levar ao sentido etnológico, isto é, sentidos oriundos do “latim collectivus” uma derivação do verbo “colligere”, que pode significar “reunir, juntar, colher junto". Para mim, a palavra “coletivo” significa a extrapolação do silêncio em palavras, sobretudo, com um único objetivo. Ou seja, coletivizar-se, ousar-se-á, isto é, alcançar o ápice da força feminina. Isso acontece quando um grupo de mulheres fala a mesma língua. Nesse sentido, sugiro à grande escritora Elizabete Nascimento escrever um poema com o título “A escrita coletiva é Ousar-se em palavras a não se calar”. Pois, conforme a autora ao escrever o texto em evidência no blog “a troca de experiências e a força da produção literária e jornalística feminina” é coletivizar-se
    Solange Velozo (Cáceres-MT, 9 de maio de 2026).

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    1. Solange, que possamos juntas descobrir os *verdadeiros* sentidos do existir nas palavras, para além, muito além dos sentidos do dicionário... HÁbraços!

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  7. Em Cáceres, Mato Grosso, divisa com a Bolívia, na Bacia do Alro Paraguai, no berço das Águas do Pantanal, nasci, cresci, me constitui mulher, artista e professora. Nesse lugar no interior do interior de MT, temos uma sociedade estrutural super machista , misógina, preconceituosa e paternalista.... lugar onde toda mulher que aqui vive, sofre de algum tipo de violência, seja física ou psicológica. Como muitas mulheres daqui sofri e me reconstitui quando encontrei uma rede de mulheres que também sofreram na vida e encontraram na educação e no afeto coletivo dessa rede de mulheres um modo de resignificar suas vidas. E por meio da escrita, elas fazem história escrevendo suas histórias, contribuem para a sua liberdade e a liberdade de muitas outras mulheres que também sofrem... Esse movimento é um muito lindo e necessário, precisamos viver. Nós, digo essa rede de mulheres, nos reconhecemos na escrita libertadora a cada texto escrito e lido por esse grupo de mulheres que unem e reúnem forças para voar nas asas da escrita que ressoa nos corações daqueles que são sensíveis o suficiente para compreender a importância da rede de mulheres e da escrita libertadora desse grupo. Como as águas do Pantanal vai fazendo caminhos, essas mulheres buscam fluir nos meandros da vida.

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    1. Danúbia, que o aprendizado seja constante e escorram por nossos poros gerando alquimias...

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  8. Instigante leitura! Como pesquisadora da área de enunciação e diálogo, vejo no seu artigo um respaldo teórico fundamental para pensarmos o lugar do sujeito leitor hoje. Essa 'literatura como abrigo' é, na verdade, o espaço onde a intervenção dialógica acontece e permite que o o humano se reconheça como autor da sua própria história. Um texto necessário para quem acredita na força transformadora do letramento literário. Gratidão pelo compartilhamento. É um prazer ler e conviver, partilhar a vida com você! Fazer parte dessa obra nos traz uma alegria sem medidas.

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    1. Gilvani, que possamos SER MAIS SEMPRE... Sem nunca diminuir as nossas iguais, mas pelo contrário, ofertando nossas mãos e brindando as vitórias coletivas! Na plateia SEMPRE, aplaudindo o sucesso uma das outras....😘

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  9. É maravilhoso ler textos que nos inspiram de algum modo. E você, Bete, é, por si só, uma inspiração. Sua escrita transcende; você utiliza as pedras e as dores da vida e as transforma em autenticidade, em força... em vivência.
    E nos ajuda a compreender que a escrita é o registro do amadurecimento e que, ao fazermos isso, mudamos o peso do caminhar. Como bem disse, a escrita é um ato de ressignificação da nossa existência; tamanha é a força da palavra.
    Através da linguagem escrita, nos reinventamos, nos conectamos e transcendemos o nosso existir. EXISTIMOS todos os dias.
    Parabéns Mulheres! Parabéns AJEB!

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    1. Leila "[...] nos reinventamos, nos conectamos e transcendemos o nosso existir. EXISTIMOS todos os dias'. Para isso, vivo e tento impulsionar vidas. Viver, sendo MULHER, é [re]existir! 🥰😍

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  10. É sempre fantástico e maravilhoso ler seu texto que é um abraço literário. Ao escrever sobre a coletânea Alma em Palavras, você não apenas analisa, mas também dá as mãos a outras mulheres, mostrando que a literatura é abrigo, espelho e travessia. A forma como você conecta teoria e sensibilidade revela coragem e generosidade: coragem de afirmar a potência da escrita feminina e generosidade de compartilhar esse espaço com tantas vozes. Permita-me dizer a quanto grata sou por sua existência e grandiosidade, sei bem que sou suspeita em tecer palavras de elogios, mas é preciso que as pessoas saibam. Você nos lembra que cada palavra é ponte, cada verso é abrigo, e que juntas podemos transformar nossas vivências em arte e resistência. Sua escrita é farol que ilumina caminhos e inspira outras mulheres a acreditarem em sua própria voz. Você fez e continua me fazendo a acreditar em mim, quando nem eu mesmo acreditava. Continue sendo essa presença que acolhe, fortalece e abre horizontes. E acrescento ainda que o conhecimento se não for para ser compartilhado, de nada serve. Então o coletivo só ganha força com a sua existência fenomenal. Gratidão por ser luz e inspiração.

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  11. Alme aiiai ucuyui ai... que bom que a vida opera milagres em nós, né?! Antes eu diria que sua opinião era suspeita, HOJE NÃO, são os amigos_amigas pessoas legítimas para falar sobre nós porque partilham memórias.. que possamos ser ponte para outras travessias, tornando-as mais leves e autônomas.

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