"No fim da tarde quando tudo se aquietava..."
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Pedir a bênção aos pais,
padrinhos, avós, tios e às pessoas mais velhas, independente de ter vínculo
familiar, era uma prática cotidiana respeitosa e afetuosa que ultrapassava o
período da infância, estendendo-se aos jovens e até aos adultos já casados, que
com reverência estendia a mão direita pedindo a bênção. “A bença a Dona Maria,
a bença a Seu José", sendo a bênção ofertada de forma calorosa com um “Deus te
abençoe, Deus te dê uma boa sorte, Deus te faça feliz".
No ambiente doméstico, o
respeito e a obediência aos mais velhos era regra geral: os filhos mais velhos
ajudavam os pais no cuidado com os irmãos mais novos - ressaltando que
normalmente a prole era extensa -, auxiliavam a mãe nas tarefas domésticas e em
outras atividades no campo, tudo sob o olhar dos mais velhos que já gerava
intimidação e um alerta para a obediência.
“No fim da tarde quando
tudo se aquietava...” - ainda soa a canção de Pe. Zezinho. Ao final da tarde, todos se reuniam, sentados no banco de madeira, normalmente da cozinha, ao redor
do fogão a lenha, para ouvir as histórias e causos contados pelos mais velhos.
O candeeiro iluminava o ambiente e o calor das brasas do fogão aquecia a prosa.
À noite, era comum os pais contarem histórias para os filhos. As crianças ouviam, em silêncio, as lendas do lobisomem e de outros seres estranhos, ficavam apavoradas sem
reagir e nem interagir.
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À época, a tecnologia nem
sonhava existir e os brinquedos eram artesanais, feitos pelas próprias crianças
ou pelos pais com materiais reaproveitados ou retirados da natureza: cavalo de
pau, panelas de barro, bonecas de pano, bolas de meia com enchimento de papel,
carrinhos feitos com vasilhame de oléo ou de manteiga e com rodas feitas com
borracha de sandálias.
A Escola era o “lugar do
aprender”. Sentados em bancos de madeira, com olhar fixo no professor, no ABC e
na cartilha, todos cumpriam suas tarefas e mantinham obediência ao professor da
mesma forma que ao seus pais e aos mais velhos, tratando-o com o devido
respeito, pois se lhes faltasse com ele,
seria severamente punido.
Na contemporaneidade, os
valores humanos e as relações familiares estão quase que descartados, causando
sérias e drásticas consequências à sociedade como um todo. A escola é para
muitos, apenas um lugar de encontro com colegas, um lugar de distração. Reconhecê-la
como espaço de produção e de aquisição do conhecimento não é regra geral. Pedir a bênção aos mais velhos saiu de moda.
A tecnologia trouxe brinquedos eletrônicos, bonecos que simulam seres humanos,
ridicularizando-o com o desrespeito, a violência, a pornografia. A prosa e as
brincadeiras com colegas, familiares e amigos foi substituída pela “comunicação
virtual”, via redes sociais, espaço de “liberdade” e de “permissividade”.
O respeito, a solidariedade, a
fraternidade e a humanização foram substituídos pela robotização dos humanos.
Quais lições, histórias e memórias das crianças e jovens da sociedade
contemporânea transmitiremos à posteridade?
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