terça-feira, 30 de dezembro de 2025

O LIMITE DE UMA MULHER

"Eu saúdo, honro e apoio as mulheres que estão dizendo não"

Por Flavia Ferrari 

Imagem Pinterest
Desde pequenas acostumamo-nos a esgarçar nossos limites. Coisas do processo educativo das meninas. Controlamos nossa energia desde cedo, incentivadas a brincar com objetos que requerem foco e delicadeza. Temos roupas, penteados, acessórios não convidativos a uma escalada ou banho de lama. A bola rolando com gente em volta pertence a um grupo fechado, e a coragem para entrar no jogo não nos é dada de saída. 

Somos socializadas a escutar e a prestar atenção, pois a distração e o movimento são características dos meninos. 

Na adolescência, nos viramos desde início com maquiagem, roupa, cabelo, de acordo com o que a maioria faz - não pertencer a esse grupo majoritário tem um alto custo social. Somos automaticamente levadas à dinâmica do cuidar: do corpo, das coisas, dos hábitos, dos espaços, das plantas, dos bichos, dos filhos. O peso simbólico e permanente da palavra “mãe” sobrevive à própria vida das mães. É por esta via que mulheres são lembradas e exaltadas na família. 

Imagem Pinterest
É claro que as mudanças estão aí, e ser mulher hoje é muito mais plural do que há cinquenta anos - e o preço disso é muitas vezes pago com a vida. Sabemos disso e somos nós que gritamos frente à barbárie. 

É por isso que, quando uma mulher diz que não aguenta mais, é porque o limite tão esgarçado já perdeu toda a elasticidade, e não respeitar essa frágil película que separa o prosseguir do recusar é abrir mão da própria sanidade. Eu saúdo, honro e apoio as mulheres que estão dizendo não, buscando recalcular rotas e transformar suas vidas, seja saindo de casamentos, relacionamentos, das casas, das cidades ou dos países em que não querem mais estar. 

Avante, mulheres! Cada dia há de ser menos pior do que o dia anterior.

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Flavia Ferrari (São Paulo, 1976). Poeta e professora da rede pública de São Paulo, Flavia Ferrari tem três livros de poesia publicados, Meio-Fio: Poemas de Passagem (2021) e É Tudo Ficção (2022) e Espólio (2025). A autora escreve desde a adolescência, mas começou a publicar seus poemas no início de 2020, compartilhando seu trabalho nas redes sociais, participando de antologias e contribuindo com revistas literárias digitais. Desde o princípio, os seus poemas foram muito bem recebidos pelas leitoras e leitores.

3 comentários:

  1. Parabéns pelo texto Flavinha! Realmente desde criança somos lançadas nessa construção complexa e multifacetada, profundamente enraizada em estereótipos . 😍❤️

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  2. Parabéns, avante na amplitude dessa consciência e ação feminista!

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  3. Aprecio muito a maneira como você expressa suas ideias, Flávia. Sempre que leio seus poemas ou textos sinto vontade de escrever também. Suas palavras " cabem tão dentro de mim". Malu Padilha

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